iPhone, finalmente
10.01.07 2:39
Um iPod com tela sensível ao toque. Um telefone móvel revolucionário. Um comunicador por internet inovador. Esses não são três aparelhos diferentes, são o iPhone. Hoje, a Apple reinventa o celular.
Com isso, Steve Jobs apresentou o iPhone. Os anos de patentes registradas pela Apple, rumores de um produto inovador que mudaria o mercado de telefonia móvel e de opiniões de analistas que previam um terremoto no mercado de celulares se confirmaram na apresentação de ontem - talvez a mais importante na história recente da Apple.
O momento é único e fez a empresa mudar seu nome. Deixa de ser Apple Computer para se tornar apenas Apple Inc. É uma fabricante de eletrônicos e mais uma vez parece pronta para guiar o mercado, como fez com o Macintosh para a computação pessoal e com o iPod para a música digital portátil.
Esqueça o formato típico de um celular. O iPhone lembra mais um PDA, como um iPaq ou um Palm. Com as bordas menores, tem uma tela de 3,5 polegadas e 160 dpi, uma resolução espetacular. A tecnologia multi-touch cria as interfaces necessárias no visor para acessar o conteúdo em questão. Se a idéia é discar um número de telefone, surge um teclado numérico. O QWERTY aparece ao digitar um torpedo. O único botão é o de ‘home’, que leva à tela inicial do aparelho. Nas laterais, teclas de volume, para silenciar o celular e travá-lo. O iPhone traz entrada para fones de ouvido de 3,5 mm, a mesma dos iPods e de qualquer MP3 player ou discman.
Músicas e vídeos são acessados num sistema semelhante ao do iPod, mas sem a click wheel, a famosa rodinha. Agora, basta deslizar o dedo pela tela para navegar entre os itens. Um toque avança no álbum ou playlist, até a música em questão. Pela demonstração de Jobs, disponível para assistir por streaming na internet, a interface parece madura e simples de usar. O mesmo acontece com as fotos, sincronizadas pelo Windows ou OS X, ou tiradas com a câmera de 2 megapixels embutida na traseira do aparelho. Para ampliar as imagens, basta afastá-las com os dedos, num movimento intuitivo. Embora Jobs tenha mostrado pouco dos gestos que são usados com os dedos na multi-touch, imagino que seja possível muitas combinações simples e que lembram as usadas no mundo real.
O iPhone tem três sensores embutidos. Um deles é diretamente ligado à exibição multimídia e altera a visão da tela de retrato para paisagem - vertical para horizontal - de acordo com o conteúdo. Os vídeos, são sempre mostrados em widescreen, na horizontal. Músicas e fotos tem a exibição alternada de acordo com a posição do aparelho. O sensor detecta quando o usuário deita o iPhone e muda automaticamente a forma de mostrar os arquivos. O software de músicas tem o coverflow, que permite navegar entre as capas dos CDs como no iTunes atual, mais uma vez arrastando com os dedos.
A tela grande do iPhone havia sido prevista em muitos rumores e até em falsificações na internet e suspeito que poderá definir uma nova categoria de iPods para o futuro. Será complicada a sobrevivência da linha dos atuais iPods com vídeo, já que têm tela bem menor.
Jobs demonstrou apenas o uso de conteúdo comprado na loja virtual, mas as ferramentas de conversão de vídeos em Divx, Xvid e outros codecs para o iTunes se multiplicarão com a chegada do iPhone. Para os brasileiros isso é essencial, enquanto a iTunes não chegar por aqui e para quem quiser acessar vídeos de outras fontes que não a da Apple.
O iPhone é um celular. A parceria exclusiva com a operadora americana Cingular permitiu a criação do sistema de Visual Voicemail, uma caixa postal de voz diferente, que permite escolher qual recado para ouvir, fora da ordem cronológica e apagá-lo de forma simples. A agenda de contatos é bem parecida com a de outros celulares avançados, com exibição de números de telefone, endereços físicos e de e-mail, mas numa tela maior. Ao escrever torpedos surge o teclado completo virtual e a resposta ao SMS enviado fica armazenado como uma conversa de MSN, para não perder o fio da meada - idéia simples e funcional.
O iPhone muda o paradigma das interfaces de celular e deve causar muita dor de cabeça aos designers de empresas como Nokia e Sony Ericsson, com aparelhos com ótimas interfaces - pelo menos até agora. Quem usa smartphones sabe como, ás vezes, é complicado alternar entre programas. Um exemplo é acessar a lista de contatos durante uma chamada ou até a caixa de torpedos para encontrar uma informação enviada por texto. Às vezes, a falta de clareza na interface causa até a perda da ligação sem querer. Na demonstração feita por Jobs, foi possível navegar facilmente da tela da ligação em andamento até o programa de mensagens, achar um e-mail e repassá-lo, durante a ligação.
Se a interface for realmente simples, mudará a forma de usar o celular e aumentará a produtividade de quem quer um telefone móvel para além das conversas por voz. “A maioria das pessoas usa o menu de ‘ligações recentes’ como seus contatos. É muito difícil fazer ligações num celular”, disse Jobs. Em muitos casos ele está certo.
Um dado a investigar é a necessidade de usar as duas mãos para navegar na interface. Os fabricantes atuais de celulares, principalmente de smartphones, enaltecem a vantagem de usar o aparelho apenas com uma mão. Pelo que vi, Jobs utilizou quase sempre as duas e imagino que isso seja necessário…
Outro rumor confirmado é a presença de uma versão do OS X no iPhone. Jobs não falou muito sobre as entranhas do aparelho, mas ele é rápido como um laptop, mais uma vez evoluindo das interfaces com travamentos inevitáveis nos celulares atuais. No menu principal, o iPhone mostra os programas instalados e widgets como os do dashboard do OS X. Jobs também não comentou se desenvolvedores externos ou programadores independentes poderão criar software para o iPhone - por enquanto a empresa não comenta o assunto. No entanto, durante o evento de desenvolvedores WWDC 2006, no ano passado, a Apple pediu que os programas passem a ser feitos sem uma resolução específica, talvez levando em conta a possibilidade de rodarem no celular.
A Apple conseguiu um grande feito na apresentação do iPhone, juntar duas rivais da web. Google e Yahoo subiram ao palco do Moscone Center para mostrar suas parcerias com a Apple. A primeira traduziu o Google Maps no celular, que será usado numa série de aplicações de localização - pessoas, comércio, locais de interesse geral e trajetos. O Yahoo oferece um e-mail IMAP push gratuito para cada iPhone, que também funciona com qualquer correio POP3. É um golpe no peito do Blackberry, que vive do envio push, no qual o correio eletrônico chega automaticamente ao celular. A busca integrada do iPhone também será do Yahoo. Só faltou a Microsoft (brincadeirinha…).
O browser do aparelho é um Safari modificado. A navegação consegue ser ainda melhor do que dos celulares N series, da Nokia, que tem um ótimo browser baseado no Konqueror, de código livre. Como padrão, as páginas web são carregadas integralmente no iPhone, reduzidas para caberem totalmente na tela. Ao bater duas vezes numa parte da homepage, ela é aumentada para ler o conteúdo. O processo se repete para mais zoom. Um toque na tela afasta o conteúdo. É possível alternar com facilidade para abrir novas páginas, mantendo as antigas guardadas. Jobs declarou que é o “primeiro navegador HTML completo num celular”.
O que o executivo fez questão de mencionar é que o iPhone tem Bluetooth e Wi-Fi. Ainda melhor, o aparelho sabe quando as redes estão disponíveis e pode trocar uma ligação de voz da rede de telefonia para a de internet. Falta saber se a parceria exclusiva com a Cingular permitirá a inclusão de um software de VoIP no iPhone, como o Skype, para ligações telefônicas pela internet.
O iPhone chega em junho nos EUA e até o fim do ano na Europa e na Ásia em dois modelos - 4 GB e 8 GB. É bom saber que essa é a memória total para software, vídeos, fotos e músicas. Pode se tornar pouco se o usuário abusar das vantagens do aparelho. O celular é compatível com a rede GSM quatro bandas, com garantia de roaming internacional, e ainda tem Edge, para conexão de dados de até 236 Kb/s, considerada de “2,75 geração”. Jobs adiantou que um modelo de terceira geração virá em seguida.
Jobs revelou que há mais de 200 patentes no aparelho e que a Apple está decidida a lutar por elas. Se o iPhone der certo - a Apple quer 1% do mercado de 1 bilhão de celulares vendidos por ano, em 2008 - podemos esperar uma série de cópias de características do aparelho nos próximos anos.
Os preços nos EUA são de US$ 499 (4 GB) e US$ 599 (8 GB), com um contrato pós-pago de dois anos com a Cingular, que provavelmente subsidia parte do preço do aparelho. A bateria do iPhone garante cinco horas de conversação, navegação ou vídeos, ou 16 horas de música. O celular tem 115 x 61 x 11.6 mm e pesa 135 gramas. Como comparação, o iPod de 30 GB tem 103,5 x 61,8 x 11 mm e pesa 136 gramas.
Para o fim, o mais importante: como fica o Brasil? Não temos iTunes e acho difícil que ela chegue em 2007. A loja virtual é essencial para a entrada do iPhone no mercado. Para nós, resta comprar o aparelho de forma alternativa, como em sites de leilões, desbloqueado para uso por qualquer operadora. Se a Cingular e futuras operadoras trabalharão com a Apple para bloquear o iPhone para uso apenas em suas redes, a Apple quer expandir seu mercado. Só o tempo dirá como o cabo-de-guerra será decidido.
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quero saber se para usar a internet no iPhone tem q pagar em creditos aqui no Brasil.