Hackers esperam pelo iPhone

15.01.07 11:55

Há pouco esbarrei nesta matéria do IDGNow, que mostra como a comunidade de hackers espera ansiosamente o lançamento do iPhone, para “brincar” com o aparelho.

Ao contrário do que o senso comum determina, os hackers não são os maus da fita, necessariamente. Para esse papel encaixam como uma luva os crackers, que limitam-se a explorar as falhas de um sistema, hardware e software, para tirar proveito próprio ou para uma corporação. Os hackers são apenas pessoas, como eu e você, que não se contentam em utilizar um produto conforme as determinações do seu criador.

Eles estão por todos os lados. Um marceneiro que descobre uma forma mais rápida ou eficiente de criar sua cadeira ou o piloto de aviões que encontra a maneira de realizar um pouso mais seguro - e que não está descrita no manual - são dois exemplos simples. São pessoas com curiosidade e inteligência suficientes para romper com a receita do bolo e atualizá-la, normalmente contando em seguida ao mundo como conseguiram seus feitos. É a chamada gift society, onde parte do prazer está em ganhar notoriedade pela descoberta, sem retorno financeiro imediato.

Uma ótima descrição da ideologia de um hacker está no livro A ética dos hackers, de Pekka Himanen. Ele conta em detalhes como programadores de todo o mundo usam seu conhecimento e a internet para criar o maior trabalho colaborativo da história, com o sistema operacional Linux.

No caso do iPhone, além de quebrar o bloqueio do aparelho que o limitará ao uso com a operadora Cingular, os hackers exibirão as possíveis falhas de segurança do celular, além de criar formas de instalar novos programas e funções. A Apple não ficará satisfeita com os resultados, mas a exposição dos problemas do telefone por fontes independentes será bem-vinda para os usuários e forçará atualizações pela empresa, que poderia se calar para evitar o trabalho extra e a má publicidade sem esse tipo de fiscalização. O mesmo tem acontecido com o Windows, por exemplo.

Com um emulador de x86, o PSP roda até versões do Windows, como a 95.Para quem gosta de jogos eletrônicos, a atividade dos hackers tem sido estelar com o PSP, o PlayStation Portátil. A Sony comprou a briga e atualiza o firmware - software que controla o console - a cada nova investida dos hackers. Não adianta, pois sempre há uma nova forma de explorá-lo e apresentar funções que tornam o portátil mais interessante. A empresa japonesa poderia ter aberto detalhes do sistema e criado assim um aparelho livre para ser explorado, talvez até com mais vendas. Em vez disso, limitou os formatos de áudio e vídeo a poucas categorias e travou a possibilidade de rodar software não assinado pela Sony. Criou uma briga eletrônica de gato e rato.

De nada adiantou. Hoje, o PSP roda jogos e programas de quase todos os computadores, principalmente os que fizeram história - Amiga, Amstrad, Spectrum, Commodore 64 - além de consoles já desativados e ainda em ação. Também tem os famosos homebrew, programas feitos por programadores independentes, tudo rodando em firmwares adaptados. É claro que a exploração do PSP também gera a pirataria, mas nem isso elimina o potencial econômico do pequeno videogame, hoje o principal sucesso da Sony nesta área.

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