Google quer iTunes para livros

22.01.07 1:48

De acordo com o jornal britânico The Times, o Google quer ser a iTunes dos livros. Com editoras de todo o mundo, a empresa planeja um sistema simples de download das obras num formato que possa ser lido em vários dispositivos portáteis, como celulares e smartphones.

O Google falou pouco sobre a tecnologia, mas deixou claro que quer ela disponível para o público o mais rápido possível. O sistema será uma extensão do Book Search, que existe inclusive em português. Hoje, é possível acessar milhares de livros com licenças diferentes. Algumas editoras liberam todo o conteúdo da obra, apenas algumas páginas, trechos ou só a informação de capa. A busca por uma palavra ou expressão leva o usuário direto às páginas com a referência.

O Reader usa pouca bateria por não precisar de energia para manter a exibição de uma página Esse movimento do Google já era esperado. Depois de penar em 2006 para convencer as editoras de que não jogaria a política de direitos autorais no lixo, a empresa agora parte para o segundo estágio. Hoje, o Book Search traz links para lojas virtuais que comercializam a obra, mas porque não vendê-la pelo Google, e de forma digital?

Tive a oportunidade de conversar com Marco Marinucci, diretor do Book Search internacional, quando esteve no Brasil pela primeira vez para conversar com as editoras. O Google já estava sendo processado por um grupo que o acusava de colocar conteúdo para busca sem autorização e faturar com isso, através dos links patrocinados.

Mas Marinucci me disse algo impressionante - embora possa ter sido apenas papo de vendedor. “Larry e Sergey [criadores do Google] queriam um buscador de livros antes do mecanismo de homepages”.

Para a venda de livros digitais dar certo é preciso que as pessoas queiram ler fora do papel. Poucos conseguem ler textos longos na tela do computador, quanto mais num celular. O Google aposta no sucesso citando o exemplo japonês. No país já são vendidos romances para o celular com algum sucesso. A História, no entanto, mostra que muito do que dá certo no Japão não é bem recebido no Ocidente, e vice-versa.

O melhor suporte para leitura de livros digitais é o Sony Reader, que oferece contraste de tela semelhante ao papel, tamanho de um livro e tecnologia que gasta pouca bateria - 7.500 páginas com uma recarga. O aparelho tem microcápsulas que, quando carregadas, exibem pontos pretos ou brancos. Elas mantém o estado sem necessidade de energia até que sejam novamente estimuladas, ao virar a página, por exemplo.
Por US$ 350, nos EUA, tem público garantido só entre quem lê muito. Os livros são vendidos pela loja online Connect, mas o Reader também é compatível com PDFs, RSS e documentos do Word.

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