Nine Inch Nails segue Radiohead e abandona gravadoras
09.10.07 2:34
A revolução está entre nós. O ano de 2007 será conhecido como o começo do fim da indústria da música, como a conhecemos por décadas. Depois de o Radiohead anunciar que seu novo disco, In Rainbows, será vendido pela internet e pelo preço que o consumidor quiser, é a vez do Nine Inch Nails anunciar que abandonará as gravadoras para um modelo de venda banda-consumidor.
É bom lembrar que esse movimento não é apenas político. Os artistas ganham pouco com os discos - seu faturamento maior vem das ações na internet, turnês e da memorabilia que as cercam.
Até a semana passada, as gravadoras estavam sendo minadas por três frentes distintas…
Os internautas procuram comodidade e liberdade no uso da música. Acessam referências como o All Music, escolhem o que querem e correm para os buscadores de torrent. A situação se repete desde 1999, quando Shaun Fanning criou o Napster e tornou-se o inimigo número 1 das gravadoras e de vários artistas. Hoje, 1 bilhão de faixas são baixadas por Bit Torrent a cada mês. Muitos usuários deixaram de comprar discos, por acharem caros ou por quererem a comodidade de baixar apenas uma ou algumas faixas de um álbum.
Os músicos independentes, na maioria pouco representativos, descobrem com a tecnologia que a produção e distribuição de um álbum está cada vez mais barato. Os fabricantes de processadores, sistemas operacionais e computadores exploram esse nicho, anunciando seus produtos como ilhas de edição de áudio e vídeo prontas para qualquer estúdio ou quarto. A divulgação e distribuição do disco fica a cargo da internet - YouTube, Facebook, MySpace, Trama Virtual, e-commerce.Mas em 2007 o ataque também veio do alto. A líder mundial iTunes Store passou a vender músicas sem DRM, a cápsula que envolve o arquivo da música com as restrições de cópia e gravação. Há pouco tempo, a Amazon se juntou à investida, com o lançamento da loja virtual com canções sem limites de partilha ou cópia.
No começo do mês, um executivo da Sony declarou num tribunal, sob juramento, que a estratégia da indústria fonográfica de processar usuários que trocam músicas se revelou um desperdício de dinheiro. Foram gastos milhões, e as gravadoras não sabem até hoje ao certo quantas pessoas trocam música sem o pagamento de direitos autorais, ou qual é a real perda financeira com a nova dinâmica do mercado.
Para as gravadoras restam poucas alternativas. Perpetuar o erro das campanhas contra as troca de arquivos em redes p2p e os processos, que várias vezes atingiram inocentes e até mortos, ou se agarrar aos artistas que não têm cacife para trilhar seus caminhos com independência, por vício no modelo tradicional ou necessidade da máquina publicitária das gravadoras para mascarar a falta de qualidade. Ah, também é possível embarcar de vez na proposta das lojas virtuais, comercializando músicas sem DRM e livres para o consumo livre.
Se eu tenho um iPod, por que não posso comprar músicas nas lojas da Terra e do UOL? Os portais dirão que a compra é possível, mas a aventura tecnológica para fazer as canções funcionarem nos tocadores da Apple, por causa do DRM da Microsoft, afasta qualquer cliente mais atento aos seus direitos.
Radiohead e Nine Inch Nails se juntam aos internautas, músicos independentes e às lojas virtuais para fechar o cerco contra as gravadoras. Acuada, à indústria fonográfica restará apelar para a última instância: o governo. Um “imposto da música” manteria a sobrevida das gravadoras, com cada vez menos artistas, puxados por outros que se libertaram do cabresto e passaram a faturar mais.
A internet não é apenas o território dos piratas. É pela web que os remixes e mashups tornam internautas até então anônimos em pequenas estrelas, seguidos por quem reconhece seu trabalho. Não é difícil imaginar um modelo de micropagamentos que remunere os criadores independentes e, obviamente, os produtores iniciais do conteúdo modificado. O Creative Commons, com seu sistema alternativo de direitos autorais, já pode ser usado para regulamentar esse processo, afinado com o comércio eletrônico.
A música será de graça? Provavelmente não. Mas será bem mais barata que hoje, com preços especiais se o consumidor quiser a vantagem da busca e da qualidade do áudio em sites especializados, como já fazem iTunes, Megastore e Sonora. Quem quiser o contato direto com seu ídolo encontrará os discos no site oficial, com conteúdo extra, personalizado, e com a certeza de que o dinheiro gasto terminará nas mãos de quem suou músculos e neurônios para criar arte.
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O Nine Inch Nails anunciou no site oficial que não trabalhará mais com gravadoras. A notícia segue a do Radiohead, que lança seu disco na web, pelo preço que o internauta quiser. Conheça a revolução que mudará a cara da indústria fonográfica…
Ótimo texto!
E já encomendei o meu download do In Rainbows do Radiohead. Já vou baixar amanhã mesmo por um preço justo, colaborando diretamente com os artistas, terei o álbum antes mesmo dos piratas, e com toda a comodidade que a internet pode oferecer. Excelente!
[...] Em tempo: Reznor já disse que os próximos discos do NIN serão oferecidos pela web, de graça, sem gravadoras. [...]
[...] lá, nesses cem paus, um tipo de imposto sobre o que você pode aprender. O autor, ora, é o que menos lucra nesse sistema todo. Como [...]