YouTube lança Video ID e aperta pirataria
16.10.07 7:49
O Google iniciou oficialmente o seu programa antipirataria no YouTube, mas cabe aos detentores de direito autoral adotarem a tecnologia.
O produtor de um vídeo tem que enviá-lo ao site, que extrai uma identificação digital do mesmo, usada para apontar futuros uploads do arquivo ou de partes dele. Cabe ao dono dos direitos da obra decidir o que será feito. A cópia digital enviada ao site pode ser deletada, liberada ou publicada com anúncios. Mesmo se for apagado, o vídeo fica no YouTube por alguns minutos. Se o detentor do direito autoral decidir que a reprodução do vídeo não pode entrar no site, só poderá mudar de idéia se publicar uma cópia com seu login no YouTube.
O Google testou a tecnologia nos últimos meses com nove parceiros - CBS, Disney e TimeWarner foram revelados. De acordo com a empresa, todos ficaram satisfeitos com a chamada Video Identification, em fase beta, provavelmente eterna. O Google sofre um processo nos EUA de US$ 1 bilhão da Viacom, que já declarou que não o interromperá por qualquer esforço técnico antipirataria.
O Video ID é um dos suportes do tripé do YouTube, que conta também com os dois modelos de anúncios nos vídeos e com a parceria com grandes produtores de conteúdo. Cada uma das bases é necessária para validar a outra e encaminhar o serviço na direção da rentabilidade. Sem controle das cópias dos vídeos pelos internautas, nenhuma emissora de TV, produtora ou estúdio de Hollywood vai querer publicar vídeos oficiais e anunciar neles. Sem o Video ID, o público é pulverizado entre as várias cópias disponíveis, não assiste aos anúncios nem os consomem.
O funcionamento da tecnologia demonstra o poder e, para alguns, a arrogância do Google. Para que o Video ID funcione, os detentores de direito autoral têm que enviar todo seu conteúdo para o YouTube o escanear. Imagine o que isso significa para a Globo, por exemplo. A emissora teria que fornecer toda a sua programação diária para o serviço para tentar evitar que cópias caseiras chegassem ao público. Para o Google, o Video ID “vai muito além das responsabilidades legais”.
O YouTube admite que a tecnologia não funcionará com cópias com imagem e som de baixa qualidade, mas diz que os detentores de direito autoral estão mais preocupados com os videos fiéis ao original. Não há certeza se o Video ID é esperto o suficiente para reconhecer, e manter no ar, os remixes de arquivos eventualmente marcados com o sistema e que pela legislação norte-americana não podem sair do serviço.
A meta inicial do YouTube - se tornar o principal destino para o upload de vídeos amadores e para a audiência na web - está alcançada há mais de um ano. Agora, é a hora de firmar o serviço como uma alternativa real à televisão com vídeos com a chancela dos produtores conhecidos.
Até o fim do ano, a Adobe lançará a versão final do seu plugin Flash com suporte ao codec de vídeo H.264 e de som HE-AAC. Estará aberto o caminho para os vídeos de alta qualidade na web, com streaming quase tão leve como os atuais do YouTube e outros repositórios. É o início de um novo capítulo da do consumo multimídia na web, com o YouTube HD.
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