Amazon Kindle e os livros digitais
21.11.07 2:35
A Amazon, líder na venda de livros pela internet, quer ser a maior na transição da literatura para o meio digital com o Kindle, seu e-book reader.
O mercado de reprodutores de livros nunca decolou. O principal representante é o Sony Reader, lançado em 2006 nos Estados Unidos e que nunca passou de um aparelho para early adopters, consumidores que se dispõem a pagar caro por um produto que ainda não se afirmou e que corre o risco de sair do mercado a qualquer momento.
O Kindle segue a cartilha dos e-book readers, mas tem uma diferença primordial. Numa parceria com a operadora de celular Sprint, usa a conexão CDMA EV-DO, de terceira geração, para acessar a loja virtual de livros da Amazon, correio eletrônico, web e Wikipedia. Além de ter uma cobertura de sinal bem maior que a dos hotspots Wi-Fi, não há custo para o consumidor, chamariz imediato pela facilidade de encontrar conteúdo em qualquer lugar. Há 90 mil títulos disponíveis para compra por US$ 10, em média, e cada um leva cerca de um minuto para ser baixado.
Uma das características que fazem de um produto vencedor é a facilidade de uso e a Amazon cercou o Kindle com armadilhas para capturar o usuário comum. Além da compra de livros, o aparelho permite a assinatura de edições digitais de jornais e revistas, que são carregados no reader durante a noite e a leitura de blogs, em versões especiais para o dispositivo por US$ 1 mensal.
Mas o Kindle não agradará quem busca a liberdade. A Wikipedia está liberada, mas tente acessar outras páginas no navegador embutido para conhecer o suporte desastroso à web do reader da Amazon. O endereço de e-mail fornecido para cada Kindle serve, principalmente, para receber e abrir anexos de texto. A grande oferta de conteúdo não combina com a limitação no uso do produto.
E o Kindle pode ter perdido o momento ideal para o lançamento. Para que ter um ebook reader se outro aparelho já se mostra pronto para a leitura em trânsito. O iPhone tem tela de alta resolução, conta com a rede de distribuição da Apple e ainda tem uma gama de funções que rodeiam a leitura. Hoje, mesmo sem suporte oficial da Apple, já há um software para exibição de livros, que funciona muito bem.
A tecnologia de tinta eletrônica já conseguiu belos feitos. Usa eletricidade para excitar pontos que exibem o conteúdo, mas ao contrário dos CRTs, LCDs ou plasmas, não exige energia para manter o estado apresentado - uma vez a página desenhada, não consome energia. O Kindle não tem backlight, o que contribui para a autonomia de dias, mas impede que seja utilizado em locais com baixa luminosidade.
Tecnologia à parte, a substituição do livro por um meio eletrônico semelhante pode ser bem mais difícil do que a transição da televisão, música e cinema analógicos para os respectivos digitais. A experiência de ter um livro em mãos, sentir o peso e as dimensões do conteúdo presente em suas páginas e cultivá-lo na estante e na primeira folheada é algo impossível de reproduzir no digital, normalmente asséptico. Esse comentário vem de alguém que, há alguns anos, encaixotou os CDs e abraçou a digitalização da música. Mas algo me diz que com os livros não será tão fácil assim…
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Engraçado é que eu estava querendo justamente que você falasse sobre o Kindle no momento em que o vi no site da Amazon.com e agora você presenteia a quem lê o seu blog com um post sobre isso. Hehehe.
Eu sou um early adopter quando a tecnologia vai de encontro a leitura de livros. Eu já lia livros na tela do PC. Ao contrário de muita gente, eu não tenho realmente essa paixão por cultivar estantes cheias de livros de papel.
Eu realmente tenho preferência pelos meios digitais. Só que ler livros em Palms (eu não sei quanto a ler num iPhone porque ainda não tenho um) ou Pocket Pcs ou mesmo na tela do PC não é uma experiência muito boa.
Talvez com um Tablet PC ou com um Notebook até fosse melhor. Eu particularmente lia no meu notebook. Só que mesmo os notebooks mais leves são pesados para ficar em cima de você. E tem o problema da autonomia.
Então resolvi comprar um aparelho desses. Pesquisei e achei melhor comprar um dispositivo desses de um site chamado Bookeen, que faz um produto chamado CyBook. Este está na versão 3 dele.
Preferi ele ao Sony pelo simples motivo de que o Sony Reader ainda está na versão 2. Então, entendi que a experiência do outro produto, esse Francês, seria melhor. E também porque a Sony USA não entrega no Brasil. Se eu fosse conseguir, seria por canais não oficiais (Mercado Livre + o medo de perder dinheiro com vendedores trambiqueiros)
E não é que não estou arrependido? Ele é muito bom. Leve, as letras na tela simulam a textura de papel e dá a impressão de se estar com um livro na mão.
Eu recomendo, apesar de ser caro. No final das contas, com a quantidade de livros que encontramos disponíveis na internet a custo muito mais barato que livros de papel, vale a pena a médio e longo prazo.