Trent Reznor propõe imposto para baixar música
11.01.08 9:26
Trent Reznor é o líder do Nine Inch Nails, um músico talentoso e aos poucos se torna um ícone do momento atual da indústria da música. Largou as gravadoras com sua banda, produziu e lançou o álbum de Saul Williams (The Inevitable Rise and Liberation of NiggyTardust) pela internet de graça ou por US$ 5 e na semana passada lamentou o movimento dos internautas.
Reznor publicou em seu blog que apenas um de cada cinco internautas optou por pagar a quantia proposta pelo disco, que liberava o download das músicas num formato com mais qualidade. Chegou a conclusão que a tática, semelhante à do Radiohead com seu In Rainbows, é uma ferramenta de marketing, e só.
Hoje, ao News.com, Reznor propõe um imposto ao internauta. Diz que não ficou decepcionado com os números, mas questiona-se sobre o motivo pelo qual as pessoas baixam música de graça, sem pagar direitos autorais, quando existe a possibilidade de comprá-la por um preço baixo, direto do artista, e com qualidade. Ele cita a comodidade do download e a objeção ao preço do CD - dinheiro que vai quase todo para a gravadora - como os motivos que levam às pessoas a baixarem nos serviços peer-to-peer.
“Penso que se houvesse um imposto no provedor, poderíamos dizer ao consumidor: ‘Toda a música está disponível, você pode baixá-la e colocá-la no carro, no iPod, no c* se quiser. São US$ 5 na sua conta”.
A idéia não é nova. Há quatro anos entrevistei William Fischer, professor de Propriedade Intelectual da Unversidade de Harvard, nos EUA, e que desde 2000 sugere um imposto sobre o uso da internet e e de dispositivos de cópia e reprodução (gravadores de CD, MP3 players).
É uma teoria com vantagens e problemas. O dinheiro recolhido seria distribuído diretamente aos artistas, de acordo com a medição dos downloads das obras na internet. Se a auditoria se ampliasse às gravações em MP3 e CDs, seria preciso instalar um software no computador para o controle. Os dois métodos arranham a privacidade do cidadão, mas por um bom motivo - ele poderia baixar e gravar o que quisesse, quantas vezes desejasse.
O controle maior ou menor dos hábitos do consumidor estaria diretamente ligado à forma de cobrança do imposto. Se a privacidade é mantida, melhor cobrar uma quantia igual para todos os internautas. Mas se é possível saber exatamente o que cada um baixa e copia, valores diferentes são possíveis. Artistas mais populares ganham mais. Os iniciantes não deixam de ganhar o seu - algo que hoje não existe. As apresentações ao vivo se tornarão a principal fonte de renda e a gravadora se tornaria funcionária do artista, no contrário do que existe hoje.
A música parece caminhar para a gratuidade, mas é cedo afirmar que isso acontecerá. As barreiras da proteção tecnológica às cópias cairão de vez e o DRM será considerado pela próxima geração uma afronta.
Reznor diz que faria tudo de novo quase da mesma forma, com a diferença de lançar o disco nas lojas reais ao mesmo tempo que na internet.
“Não estou dizendo que foi um fracasso, ou um sucesso. Acho que foi os dois”, confessou Reznor, que com outros poucos desbrava novos caminhos para a música.
Popularity: 2% [?]
Tags: , direito-autoral, imposto, internet, música, mercado, pirataria, política, radiohead





