Electronic Arts suspende venda de Counter Strike
22.01.08 17:57
Quatro dias depois da decisão da Justiça Federal em Minas Gerais, a Electronic Arts suspendeu a venda do jogo multiplayer de ação Counter Strike, para PC. Originalmente, o game foi acusado de incitar a violência. “Traficantes do Rio de Janeiro seqüestram e levam para um morro três representantes da Organização das Nações Unidas”, declarou o Procon, numa provável alusão à modificação cs_rio.
A Electronic Arts, que distribui o game, obedeceu a Justiça, mas declarou o que qualquer usuário médio de jogos eletrônicos sabe: “A empresa esclarece que itens como traficantes, a cidade do Rio de Janeiro, favela, trilha sonora funk e pontuação extra por matar PMs, não fazem parte do jogo original “.
Uma modificação, ou mod, é normalmente criada pelos jogadores com níveis extras, itens e missões especiais e quase sempre tem download gratuito. Counter Strike, com nove anos de vida, é conhecido pelo trabalho incessante da sua comunidade, que mantém o game vivo e ativo.
Com a decisão, o Brasil perpetua seu triste histórico mundial de proibição de games, que já vitimou títulos como Mortal Kombat, Carmageddon e agora até EverQuest, na mesma tacada de Counter Strike.
EverQuest, por exemplo, foi banido por levar o jogador “ao total desvirtuamento e conflitos psicológicos pesados”. Ao lado de Ultima Online, o game é conhecido por popularizar o gênero de RPGs massivos, com milhares de usuários em simultâneo e um mercado bilionário que hoje é pilotado por World of Warcraft.
Em 2002, o economista Edward Castronova lançou um estudo mostrando que EverQuest tinha uma economia maior que a russa e com PIB superior ao da China. O jogo inaugurou o comércio em dólares de bens virtuais nos sites de leilão.
Seus “conflitos psicológicos” - na verdade a relação com outros jogadores - são estudados como influenciadores positivos na construção da personalidade de jovens e na qualificação da relação interpessoal, como o trabalho em grupo exigido em vários momentos da aventura. Além, é claro, de tudo ser muito divertido. Talvez os censores tenham ficado impressionados ao assistir a um diálogo entre seres verdes de cauda e longas presas. EverQuest tem uma temática medieval, situado na terra mágica de Norrath.
A proibição parece piada e abre uma premissa fatal para qualquer tipo de diversão eletrônica. A série mais vendida no Brasil, The Sims, permite que crianças forcem o suicídio e torturem seus pequenos seres virtuais. Isso é mais ou menos cruel que as sessões de tiroteio de Counter Strike? Team Fortress 2, que citei ontem em outro post, é tão violento como seu similar multiplayer, mas por ser cartunizado é menos realista. Escaparia da censura estatal?
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É um absurdo proibir esses games (mesmo um absurdo bem atrasado, convenhamos, já que CS foi lançado há 9, 10 anos… e se era para dizer que danifica as mentes adolescentes, demoraram e pelo menos uma geração já foi para o saco). Mas não dê idéia. Se proibirem meu The Sims querido do coração, eu vou forçar o suicídio é desses juízes tecnófobos. Humpf. Além de brigar contigo, humpf, por ter dado a idéia!