Portabilidade em redes sociais
29.02.08 9:03
É provável que o leitor desse post esteja inscrito em mais de uma rede social. Orkut, MySpace, LinkedIn, Facebook, Plaxo, Last.fm… Para cada uma delas, um grupo diferente de contatos, mais próximos se for escolhido a partir da mesma fonte - a agenda de endereços do seu web mail, por exemplo.
Os contatos de uma rede social são o maior patrimônio de quem a administra, que com os perfis detalhados pode oferecer anúncios customizados e parcerias com provedores de conteúdo. Mas algumas tendências mostram que os feudos podem acabar.
Empresas como Facebook, Google, Microsoft, Yahoo e IBM se juntaram no DataPortability, iniciativa para padronizar a comunicação entre serviços na web, com troca fácil de dados e conexão segura e anônima. Por outro lado, a plataforma de aplicativos do Facebook e a OpenSocial, do Google só serão realmente interessantes quando serviços e grupos de contatos puderem falar entre si.
E há a web semântica. Nela, as informações publicadas na internet são contextualizadas por agentes - softwares que operam de forma autônoma, com interação mínima do usuário. Imagine o sistema de recomendação de produtos da Amazon levado ao extremo. Ao entrar no editor de imagens Picnik, por exemplo, o serviço saberia automaticamente que você é um usuário do Flickr e daria a opção de carregamento das imagens. Ao editar uma delas, poderia salvar nos perfis das suas redes sociais, que também apareceriam.
Mas a portabilidade tem seus problemas. Enquanto as empresas assinam acordos de partilha de conteúdo, os usuários assistem sem participação. Quais contatos você gostaria de compartilhar entre redes sociais? Como quer que seus “amigos” mostrem o seu perfil em outra rede social? No LinkedIn você é o profissional, mas no Orkut é o defensor da liberação da maconha, do sexo livre e da Ivete Sangalo. Como quer que essas informações sejam cruzadas?
Nos últimos tempos, pelo menos dois exemplos mostraram que boas idéias caminham com seus problemas. O Google lançou seu Street View, que fotografou cidadãos nas ruas dos Estados Unidos para mostrar caminhos no Maps, sem o consenso de quem foi clicado. O Facebook inaugurou a plataforma publicitária Beacon que, por exemplo, mostrava aos seus contatos o anel de noivado que seria surpresa. A privacidade é essencial a qualquer relação.
Para conhecer mais da web semântica, leia ou ouça a entrevista de Sir Tim Berners-Lee, conhecido como o criador da web e diretor do World Wide Web Consortium feita este mês com Paul Miller, que tem um blog sobre o assunto na ZDNet.
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Isso sem falar no fator segurança: uma brecha em um dos serviços poderia, em tese, expor os dados de todos. Sei não…