Exclusivo: entrevista com Paul Buchheit, co-fundador do FriendFeed
25.03.08 7:29
Paul Buchheit trabalhou no Google e é dele a expressão Don’t be evil, que ajudou a definir a empresa, nos bons e maus momentos. O engenheiro de computação também foi o criador do primeiro protótipo do AdSense e trabalhou nas entranhas do Gmail, o serviço que sacudiu o mercado inerte dos webmails.
Conversei há pouco com Buchheit por Skype sobre o FriendFeed, seu novo projeto junto com quatro outros ex-funcionários do Google que chama a atenção da imprensa especializada. Buchheit e Sanjeev Singh, que também trabalhou no Gmail, se juntaram a Bret Taylor e Jim Norris, responsáveis pelo Google Maps, e a idéia do FriendFeed nasceu no meio do ano passado. O serviço abriu em beta fechado em outubro e desde o fim de fevereiro está disponível para todos.
Definir o FriendFeed torna-se cada dia mais difícil. No primeiro olhar é um agregador do conteúdo publicado em 33 outros serviços, além do RSS capturado de qualquer fonte, com comentários. Mas há quem o considere um social feed parecido com o do Facebook, mas aberto, sem as amarras de uma rede social.
“O Facebook foi uma grande inspiração para nós, mas o FriendFeed é bem diferente. A rede social traz atualizações de pequenos eventos de seus amigos, enquanto o FriendFeed trata de conteúdo, informação e comentários. Isso não existe em outro lugar da web. Normalmente, os comentários em outros serviços são desconexos e sem graça. No FriendFeed eles ganham qualidade e sentido, vindo de amigos”.
Com um pequeno empurrão, o FriendFeed poderia se tornar a “rede social das redes sociais”, ao integrar seus conteúdos e fomentar a discussão sobre eles, com comentários e postagem a partir do site, influenciada pelas informações centralizadas.
“Não pensamos muito nisso, por não haver a prioridade de encontrar todos os seus amigos, manter um perfil atualizado e articular essas relações. O social está na importação do conteúdo dos sites que você já usa”.
Em outro ponto de vista, o FriendFeed pode ser redundante no contexto da crise do excesso de informação que assola o internauta, ao oferecer acesso ao mesmo conteúdo que já é visto nos sites de origem.
“Não acho. O FriendFeed pode ser uma ótima ferramenta de filtragem de conteúdo. Para ver vídeos interessantes, você pode encarar os milhares de uploads diários, ou assistir a um ou dois que seus amigos separaram no mesmo espaço de tempo. É como ir ao cinema acompanhado. Não é apenas a experiência do cinema, mas do cinema compartilhado com outra pessoa”.
Buchheit promete a API do FriendFeed para “muito em breve” e espera que ela traga a expansão do serviço para além do site - em celulares, clientes de software e outras páginas na web.
“O Twitter é uma inspiração enorme, pelo entusiasmo dos usuários em criar várias aplicações que cercam e acrescentam funcionalidade a ele”.
Mesmo negando a teoria da “mãe de todas as redes sociais”, o FriendFeed começa a explorar a postagem direta pelo serviço.
“Não é a função principal, mas vamos explorar todas as funções que tragam utilidade. É curioso você falar isso, porque há minutos inauguramos a resposta automática às mensagens compartilhadas do Twitter”.
Mas há a questão do layout do FriendFeed. Pessoalmente, se fico sem acessá-lo por um dia, a quantidade de informação assusta e o jeito é “pular” conteúdo. Buchheit concorda que é um “problema importante”.
“Estamos tentando melhorar. Há filtros para esconder múltiplas entradas do mesmo serviço e até escondê-las, se o usuário quiser. Mas haverá mudanças no futuro. Por exemplo, se você ficar uma semana sem acessar o FriendFeed, ele poderá mostrar o que aconteceu de mais interessante, em uma única página. Talvez uma linha do tempo, na qual você possa aproximar uma data importante”.
Buchheit convida os usuários a enviar suas sugestões, seja pelo e-mail de feedback, pela lista no Google Groups ou escrevendo um post ou comentário na sua página do FriendFeed.
Com a adição de novos serviços à lista de inscrições automáticas, o FriendFeed abre espaço para que os internautas descubram conteúdo de sites que não usam, reduzindo o monopólio do YouTube para vídeos ou do Flickr para fotos. Publicidade interessante para a concorrência.
“É uma introdução para serviços obscuros. Temos visto mais pessoas se inscrevendo em alguns dos sites cobertos pelo FriendFeed depois de ver seus amigos postando neles”.
Mas nada vem de graça, e hoje o FriendFeed não tem um modelo de negócios. A empresa tem um aporte de US$ 5 milhões e Buchheit diz que o objetivo é maturar o serviço, mas que “é preciso buscar um modelo para o longo prazo”.
“Há que testar muito para encontrar a melhor forma, mas acho que há um espaço interessante para publicidade, com a informação contextualizada. Não é o caso do amigo que manda um super poke a outro, mas sim o do usuário que compartilha os filmes e livros interessantes que está consumindo”.
Sem querer, ou nem tanto, o FriendFeed pode conseguir o que o Facebook tentou e fracassou com o Beacon, ao publicar as compras e interesses comerciais dos cadastrados sem seu consentimento. “É bom afirmar que os usuários escolhem exatamente o que querem publicar”, explicou o co-fundador.
Além do modelo de negócios, Buchheit comentou sobre as vantagens de desenvolver o produto em uma startup, na qual o risco é parte integrante da empresa e força a inovação.
“Sempre é possível criar produtos interessantes em grandes empresas, mas é mais divertido e fácil fazer numa pequena. As gigantes, como o Google, têm milhares de parceiros, questões de estratégia, política, e precisam tomar cuidado com o que lançam. Mesmo que criem algo por acidente, no dia seguinte estão na mídia em todo o mundo. Há que ter cuidado”.
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Eu me lembro de ter visto uma proposta desse estilo do FriendFeed e era uma startup brasileira lançada à pelo menos uns 3 anos. Se chamava Wasabi.com.br, mas parece que não decolou. Acredito que as startups brasileiras sofram mais com falta de investimento.
Abraço.
Entrevista com Paul Buchheit, co-fundador do FriendFeed…
O FriendFeed o novo queridinho da web, com agregao de contedo de mais de 30 servios na internet. Em entrevista, Paul Buchheit, um dos criadores do Gmail e inventor do mantra ‘Don’t be evil’, fala sobre a empresa que criou e seu futuro….
Entrevista com Paul Buchheit, co-fundador do FriendFeed…
O FriendFeed é o novo queridinho da web, com agregação de conteúdo de mais de 30 serviços na internet. Em entrevista, Paul Buchheit, um dos criadores do Gmail e inventor do mantra ‘Don’t be evil’, fala sobre a empresa que criou e seu futuro….
Parabéns, Marcelo! Grande entrevista. Agora vamos ter que esperar um pouco para descobrir se trata-se de mais um blefe ou de algo que terá sucesso consistente. Realmente, até o momento, não dá para entender bem. Abs, Parodi.
[...] futuro.vc, blog do amigo e ex-companheiro de WeShow Marcelo Nóbrega, publicou uma bela entrevista com Paul Buchheit, um dos fundadores do FriendFeed. O serviço, que é, a grosso modo, um agregador de [...]
Essa coisa de começar o serviço sem saber como lucrar com ele, mantê-lo me preocupa… Me lembrou de uma coluna que o John Dvorak escreveu, faz um tempo, sobre o que ele chamou de “Bolha 2.0″.