T-Mobile HTC G1 é a aposta do Google para dominar os celulares

24.09.08 2:34

T-Mobile G1_futuro.vcO início trouxe os desbravadores. Motorola e Nokia consolidaram o mercado com outros players de peso, como Samsung, LG, Sony Ericsson. A competição era ferrenha, mas a inovação desestabilizante faltou e as novidades apareciam quase combinadas entre as partes. Fotografia, música, internet foram introduzidas ao mesmo tempo no mercado, sem ameaças às empresas.

No ano passado tudo mudou. A Apple desembarcou seu iPhone, com hardware e software inovadores. Mudou a forma de uso do celular, com foco na interface e na web. Os desbravadores, agora espectadores, correm para alcançá-la. Mas algo mais estava programado.

O panorama do mercado da telefonia celular - e cada vez mais da computação portátil - foi formado hoje, com o T-Mobile G1. O celular da HTC é o primeiro do mercado com o sistema operacional de código aberto Android, da iniciativa Open Handset Alliance, pilotada pelo Google. Bebe claramente na fonte do iPhone, mas oferece mais, mantendo a relação de negócio que tem feito do Google o farol da tecnologia no século 21.

Não se atenha aos detalhes do hardware do G1. O primeiro ataque do Android vem da sua capacidade de adaptação aos form factors do mercado. O celular da HTC é uma vitrine para mostrar o poder do sistema que nos próximos meses estará em vários tipos de celular, inclusive os mais modestos. A partir de hoje, o desafio está lançado para a Apple. A empresa tem entre oito e 10 meses para apresentar alternativas empolgantes na metade de 2009, quando o sucessor do iPhone 3G chegar e o mercado estiver cheio de aparelhos Android. E não se surpreenda se, então, conhecermos o iPhone Nano… 

Mas é válido lembrar que o G1 não tem um conector de fones de ouvido padrão, de 3,5 mm. A era das ligações proprietárias está acabando, e para um celular que terá uma loja da Amazon para a compra de músicas sem DRM, a ausência ganha peso. Por outro lado, o teclado QWERTY brilha, apresentando uma opção tradicional para quem não gosta da digitação na tela.

Bem mais importante é a presença única do Android na nuvem de informação. O uso de uma conta do Google permite sincronizar os dados entre os aplicativos do celular - contatos, e-mails, calendários - com os da web, quase em tempo real. A Nokia engatinha nessa área com a Ovi, mas a Apple, na crista da onda, cobra pelo serviço no Mobile Me. Torça pelo sucesso do Android, porque ele forçará a adoção do seu padrão indústria afora.

Para o usuário, a sincronização não será tão gratuita assim. O Google a implementa para ampliar a base de oferta de publicidade personalizada, empurrando para o celular os links patrocinados que rendem bilhões. 

A liberdade do Android é refletida também na loja de aplicativos, que ao contrário da App Store do iPhone terá um processo simplificado de aprovação dos softwares e controle na mão do usuário, que determinará bloqueios e preferências pela inteligência coletiva.

De qualquer forma não imagine que o Android seja o paraíso. Aplicativos para VoIP, chamadas telefônicas pela internet, não aparecerão para download. Culpe a operadora, que precisa da receita das ligações. Também não há suporte a áudio estéreo por Bluetooth e até a interface sensível ao toque parece não permitir inputs múltiplos, como no iPhone. 

Mas não subestime o Android. O Google entrou nessa para ganhar, numa estratégia semelhante a da Apple, com upgrades constantes do seu sistema operacional, apostando na força do código aberto. Bom para o consumidor, que tem mais opções de celulares-quase-computadores.

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comentários

1 comentário

  1. mecca / 24.09.08 as 20:56

    Foi anunciado hoje na televisao japonesa a chegada do G1 da google , que sera comercializada pela Docomo e pela Au.

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