O Google anda insatisfeito com o e-mail e a comunicação instantânea dos mensageiros eletrônicos. No evento para desenvolvedores I/O, a empresa mostrou o Google Wave, projeto ainda em desenvolvimento que promete unir as duas ferramentas e levá-las a um novo estágio.
O objetivo máximo é tornar o Wave universal, aberto e que possa ser usado por qualquer empresa como uma plataforma de comunicação. Na interface mostrada como uma aba do navegador Google Chrome, o serviço divide a tela em três áreas: contatos e ações, lista de conversações e seu conteúdo.
Em termos gerais, o Wave se propõe a organizar informação. Nele, o usuário responde a uma mensagem - o thread/corrente, é chamada de wave - exatamente onde quer, enxertando conteúdo no meio de uma frase, por exemplo. Texto, vídeo, fotos, áudio, mapas, tudo pode ser embutido. Todos os envolvidos na wave observam o conteúdo sendo inserido em tempo real. A wave pode ser editada livremente por seus participantes, como em um wiki e o Google acredita que o controle de versões será suficiente para se encontrar.
O Google Wave tem uma API, já disponível para estudo e testes, que permite integrar serviços às conversações e levá-las a outros lugares na web. De acordo com os planos do Google será ela que fará do Wave um sucesso, nos moldes do que acontece com o Twitter. Os mashups de conteúdo e funcionalidade do Wave com outros aplicativos multiplicarão seu poder.
Muitos já chamam o Wave de “o novo Gmail”, mas ele não acabará com o correio eletrônico tradicional. O novo serviço é interessante para a comunicação multimídia organizada, com histórico esperto e controle de versões. Como explica o Google, não há separação entre comunicação e colaboração. E esse talvez seja o maior trunfo do Wave.
Como Paul Buchheit anunciou, a API do FriendFeed estava realmente próxima. Um dia depois da entrevista com o co-fundador do serviço, a empresa lançou a ferramenta para integração simples ao FriendFeed e consequente expansão das possibilidades do site.
A API é importantíssima para o futuro do serviço. No Twitter, considerado um inspirador do FriendFeed, 80% do acesso ao site vêm de soluções criadas por terceiros. No post de lançamento algumas sugestões são dadas, como integração com celulares, widgets para blogs ou aplicativos para upload de conteúdo - por exemplo fotos a partir de um iPhone.
Para quem gosta de tecnologia, parte da diversão será ver até onde vai a criatividade dos desenvolvedores. Não considere o FriendFeed apenas um agregador de feeds RSS. Além da exploração das APIs das dezenas de sites compatíveis, o uso do serviço para a produção de conteúdo o difere. Os comentários sobre os itens e marcação de preferências criam uma nova camada de interação que o torna especial.
Mas será que é suficiente para garantir seu destaque além do hype? O FriendFeed segue à risca a cartilha da web 2.0, lançando uma funcionalidade atrás da outra. Nos últimos dias, além da API, surgiram a busca no serviço e a resposta automática de comentários via Twitter. São adições preciosas que dão sentido à cultura do beta que invadiu a internet.
Com a API, o FriendFeed entrega parte do seu destino ao desenvolvedor independente, confiando que a massa inicial de usuários e a empolgação da mídia já sejam suficientes para atrair seu interesse.
Fazendo uso da recém-lançada API do YouTube, o Qik passa a subir automaticamente os vídeos do usuário cadastrado para o serviço do Google.
O Qik é um dos sites mais falados de 2008 e expandiu o fenômeno do live vídeo, popularizado pelo Justin.TV, Ustream e outros, à geração pelo celular. Com um aparelho ligado a uma rede de terceira geração, o usuário pode criar seu canal próprio e móvel de TV, enviando áudio e vídeo de qualquer lugar.
Agora, o Qik surfa na onda do maior publicador de vídeos da web e oferece o upload direto para o YouTube. Basta entrar com a senha nas configurações do serviço e aproveitar um público bem maior para suas transmissões. O Qik já realiza notificações automáticas para Twitter, Seesmic e Blogger, entre outros.
É bom lembrar que o YouTube planeja a sua ferramenta própria de live video para lançamento ainda este ano.
Para manter sua dominância do mercado de vídeos na internet, o YouTube não pode ficar parado. O anúncio de hoje é prova disso e universaliza o serviço com a expansão da sua API - uma biblioteca de código para que terceiros criem soluções com base no site do Google.
Com ela, os vídeos podem ser enviados a partir de qualquer site, inclusive com edição do título, descrição, tags. Além disso, com a API podem ser criados players “brancos” do vídeo, sem a marca d’água e até seus controles, emuláveis por software.
Há alguns meses, o DailyMotion, concorrente do YouTube, lançou uma ferramenta de upload para sites em geral. Mas é bem limitada, comparada com a novidade do Google.
As mudanças caem como uma luva para os fabricantes de hardware e software, como a TiVo, que vai incorporar uma solução customizada para assistir aos vídeos do YouTube por seus set-top boxes. Outro exemplo é a Electronic Arts, que faz uso da API para que os jogadores de Spore, novo game de Will Wright, subam suas criações direto do game.
Com a API é fácil criar softwares de upload e reprodução em câmeras digitais, celulares, computadores, televisores e qualquer outro eletrônico com poder de processamento e uma tela.
Na prática, o YouTube retoma o trabalho fracassado do Google Video - se tornar a hospedagem para todos os vídeos na internet. Mais filmes nos servidores da empresa significam mais possibilidade de anúncios, e mais dinheiro. Você tem uma empresa? Publique vídeos relativos a sua atuação no seu site como se estivessem hospedados num servidor próprio. Mas não se chateie se um dia eles aparecerem com anúncios inseridos pelo Google. A empresa diz que a API não comporta a partilha da renda dos anúncios com seus expositores.
A rede social Facebook abriu seu API para que os aplicativos agregados ao perfil do usuário sejam usados também em qualquer página. Como explicado no post oficial de lançamento, o sistema não exige código no servidor do site, tornando simples a inclusão da biblioteca em JavaScript por qualquer internauta.
Na prática, se você tem um site de games, pode publicar aplicativos de diversão eletrônica da rede social, permitindo que seus visitantes joguem a partir do seu blog ou página. O mesmo acontece com música, livros e outros produtos culturais. Quer oferecer a edição de imagens com o Picnik, ou o acesso ao perfil do Orkut a partir da sua página? Agora é possível com alguns cliques.
De acordo com o Facebook, a conversão dos aplicativos para uso externo é simples. É o pulo do gato para expandir o acesso ao serviço em locais onde os concorrentes dominam, como o Orkut no Brasil e Friendster na Ásia. Ao encontrar um aplicativo interessante numa visita ao blog de um amigo, é possível que o internauta se interesse em acessá-lo, criando um cadastro no Facebook para tal.