A maior adversária em potencial à App Store, do iPhone e iPod Touch, estreou hoje com problemas. A Ovi Store, da Nokia, promete ser um entreposto de arquivos multimídia e programas, mas sofre com instabilidade e falta de conteúdo.
A boa notícia é que a loja também pode ser acessada no Brasil e permite desde hoje a compra do conteúdo com cartão de crédito internacional para 50 celulares diferentes. Para países que fazem parte do lançamento oficial - Austrália, Alemanha, Irlanda, Itália, Rússia, Cingapura, Espanha e Reino Unido - a cobrança é feita diretamente na conta do assinante. Os Estados Unidos terão a sua Ovi Store nos mesmos moldes pela operadora AT&T ainda este ano. Os amigos do Zumo a testam desde cedo, com o Nokia 5800, recém-lançado no Brasil.
Há problemas de acesso, com conteúdo entrando, saindo do ar e encontrado na busca, mas não nas seções principais. Um lançamento desse porte não pode sofrer com instabilidade e a Ovi Store lembra o Mobile Me, da Apple, que penou até ser estabilizado, apenas meses depois.
Com a chegada do Yahoo ao OpenSocial, a plataforma de aplicativos para redes sociais do Google, o Facebook é o último grande serviço do gênero que ainda não abraçou a iniciativa.
E continuará assim. Dave Morin, gerente de plataforma do Facebook, disse na Snap Summit 2.0 que a empresa “continua a avaliar o OpenSocial”. O principal motivo para se manter independente é o mercado estabelecido com mais de 300 mil aplicativos e a promessa de novidades para breve.
A evolução passa pelo e-commerce. O Facebook planeja apresentar até o fim do ano um sistema para que os aplicativos possam cobrar do usuário por funções específicas. É o caminho para o comércio de músicas, livros, filmes e outros produtos a partir da rede social. Outra novidade prometida é a localização dos aplicativos, que entenderão a nacionalidade do usuário para apresentar a interface no idioma em questão.
Depois de reclamar das baixas vendas do disco de Saul Williams, que produziu, Trent Reznor comemora os US$ 750 mil que garantiu nos três primeiros dias de comércio de Ghosts I-IV, o novo álbum do Nine Inch Nails.
É claro que sua banda principal é mais conhecida que Williams, mas o triunfo de Reznor vem da experiência. Com o disco, o artista oferece cinco formas de download - do primeiro volume de graça ou os quatro por US$ 5, a três edições especiais que chegam a custar US$ 300.
Curiosamente, a edição mais cara, com tiragem limitada de 2,5 mil unidades, está esgotada. Ao contrário do Radiohead e seu In Rainbows, Ghosts não está disponível de graça em formato completo. Mas como o New York Timesdestacou, os quatro discos foram lançados sob uma licença do Creative Commons que permite a sua partilha e reprodução não-comercial, além da remixagem livre, desde que o resultado seja disponibilizado sob a mesma licença. Por isso, quem comprar os quatro discos do pacote pode colocá-los para download na internet sem medo de infringir a lei.
Com as características do lançamento, Reznor se coloca como o desbravador da venda alternativa de música na internet. E mostra que, se o formato ideal para o comércio ainda está longe, já aparece no horizonte como um alvo a perseguir.
Numa entrevista à Wired por David Byrne, líder do Talking Heads, Thom Yorke do Radiohead fala pela primeira vez sobre a venda do novo disco da banda, In Rainbows, pela internet. O disco foi comercializado por leilão livre pelo preço que o internauta quisesse pagar.
Yorke responde o que qualquer banda iniciante queria saber. “(…) Percorremos toda a roda do negócio primeiro. Não deve ser um modelo para ninguém. Foi apenas uma resposta a uma situação. Não tínhamos contrato. Tínhamos nosso estúdio, o novo servidor. O que devíamos ter feito? Essa é a coisa óbvia. Mas só funciona para nós por onde estamos”.
Falando sobre críticas de que o Radiohead ganhou pouco dinheiro com a venda pela internet, Yorke comenta que a banda faturou mais com In Rainbows online do que com todos os discos anteriores juntos. O motivo é o contrato com a EMI, feito antes da explosão da venda de música em meios digitais, que não cobria o comércio em bits.
Em alguns anos, a jogada do Radiohead será conhecida como uma de várias que mudaram a indústria cultural para sempre. A revolução digital achata o mercado por cima e por baixo. É feita pelos internautas que baixam músicas, pelas redes peer-to-peer, pelas bandas que se mostram nas redes sociais e que acabam fazendo sucesso e pelos grandes, que têm poder para comercializar seu trabalho como desejarem.
Como você quer fazer? Nunca alguém que se descobriu como artista tem tanta liberdade para escolher a forma de divulgar e comercializar seu trabalho. Agradeça à internet e aos desbravadores que com o sucesso garantido abrem espaço para um novo paradigma.
Em um blog corporativo, a Nokia confirmou que a plataforma N-Gage volta na semana que vem, para teste e venda de games para celulares da empresa.
O primeiro compatível é o N81, nas versões com e sem 8 GB de memória embarcada. Espera-se que o N95 também seja agraciado, o que pelo jeito não acontecerá para o Natal. O N81 foi anunciado pela Nokia para chegada ao Brasil antes do fim do ano pelo preço sugerido de R$ 1,8 mil, sem subsídios. É um celular GSM quadband com suporte a 3G (2,1 MHz), tem teclas dedicadas para os jogos, entrada padrão 3,5 mm para fones de ouvido, Wi-Fi e câmera de 2 megapixels.
Em outubro, a Nokia demonstrou a rede N-Gage em Buenos Aires e ficou claro que é mais do que uma plataforma para distribuição de jogos. Será uma rede social com potencial para, no futuro, juntar usuários que também não gostem de jogos eletrônicos. O modelo é parecido com a XBox Live, com reputação e escolha rápida de adversários, com a promessa de adaptá-la para serviços de localização, com games que dependam do GPS.
A N-Gage será aberta no Brasil junto com o resto do mundo. Ainda em inglês, mas com a possibiliade de compra de jogos em euros e pelo cartão de crédito. A versão nacional, em português, está prevista para 2008.
Se o Futuro.vc fosse um blog de música, os leitores saberiam há muito tempo que sou fã de Radiohead. E a banda estréia hoje no blog com uma notícia que muitos chamarão de inusitada, mas arrisco chamar de revolucionária.
O Radiohead iniciou a venda de seu novo disco, In Rainbows, pela internet. Nada de novo, mas o consumidor pode levar o disco - na verdade baixá-lo - pagando o que quiser. É você quem define quanto o disco vale.
A banda terminou seu contrato com a gravadora Capitol Records em 2003, depois do lançamento de Hail to the Thief, e nada indica que se associará a outra.
O consumidor pode encomendar o CD digital hoje para baixá-lo a partir de 10 de outubro. Outra opção é a compra de um CD + vinil físico, duplo, com letras, faixas extras, arte e fotos, por 40 libras. Este só estará disponível em dezembro.
A modalidade de venda do Radiohead aplica mais um prego na indústria da música. Quem passeia pelos centros urbanos sente pena dos donos de lojas de CDs, cada vez mais vazias. São monumentos de uma era que fica rapidamente para trás.
Até a tendência considerada atual já está em questão. A música vendida em formato digital, até agora obrigatoriamente protegida contra cópia, começa a aparecer livre para qualquer uso. É o caso da iTunes Store e da nova Amazon MP3 Store. Pelo jeito, In Rainbows também será lançado sem DRM, a cápsula que evita a cópia indiscriminada do conteúdo.
O modelo de negócio das gravadoras não dura mais cinco anos. O barateamento do processo de gravação e edição dos álbuns, que hoje pode ser feito em um ambiente doméstico, retirou uma das sustentações das gravadoras. Sobra a distribuição, também moribunda por causa das lojas virtuais, e o marketing.
É o marketing que ainda justifica o vínculo do artista com a gravadora, mas também sofre com a divulgação segmentada de redes sociais, sites de notícias e troca de música e ações inovadora, com a de In Rainbows.
Ontem assisti a Transformers. Não me lembro de outro filme que faça tantas referências à tecnologia. O enredo é dependente da internet - não, não vou estragar a surpresa da história - e a publicidade das empresas de web e de hardware está em todos os cantos. Tente achar o robô do XBox 360 no filme abaixo…
É sinal do mundo em que vivemos, pelo menos da maioria dos europeus, asiáticos e americanos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a internet faz parte da vida diária dos cidadãos, e não apenas para checar seus scraps no Orkut ou videozinhos no YouTube. Compra-se de tudo online, parte da educação é realizada na web e a telefonia pela internet já está disseminada.
Transformers mostra também o poder de fogo das empresas de tecnologia como anunciantes. Fala-se em sinais de uma segunda bolha da web, com aquisição de empresas por preços altos e centenas de novas iniciativas surgindo a cada dia.
Mas hoje nada se compara ao que aconteceu em 1999, quando acreditava-se que uma boa publicidade bastaria para captar usuários e tráfego. A concorrência é grande e e o padrão está alto. A internet amadureu, e com ela o nível dos sites, serviços e dos investimentos.