Não basta ter câmera, televisão, 3G. O novo celular da Hitachi apresenta algumas dessas funções em 3D, graças à tecnologia que engana o cérebro para apresentar profundidade na imagem.
O Wooo H001 é um aparelho CDMA 1X Win (mais conhecido como EV-DO) da operadora japonesa KDDI. Tem tela de 3,1 polegadas com resolução de 480 × 854 pixels, câmera digital de 5 megapixels e receptor de TV digital 1-seg.
Um botão é responsável por alternar a visão entre 2D e 3D, usada principalmente para assistir aos vídeos gravados, TV e fotos. Gestores de sites japoneses pretendem lançar páginas com conteúdo especial para o formato 3D. Para a melhor experiência, o celular conta com o modo de visão horizontal, com a tela inclinada e apoiada sobre o teclado. O ideal é se posicionar numa distância de 30 a 50 cm da imagem.
Com cartões de memória microSD, o H001 transforma-se num gravador digital de TV, capaz de guardar até 10 horas e 40 minutos de vídeo.
O celular tem suporte a todas as frequências CDMA para roaming internacional e o padrão 1-seg o torna compatível com a TV digital brasileira. Chega até a metade do ano às lojas japonesas.
Lembra desta cena de Minority Report? O protagonista, John Anderton, entra numa loja da Gap e é recebido por publicidade personalizada, depois da sua identificação pela leitura da íris. No Japão, um procedimento parecido foi incluído em um produto apresentado pela NEC essa semana e que estará disponível para uso comercial ainda este ano.
O Eye Flavor usa reconhecimento facial para mapear quem passará na frente do placar publicitário eletrônico. A partir da câmera e do software é possível descobrir o sexo e a faixa etária da pessoa, e assim apresentar conteúdo especializado.
Na segunda parte do processo, o sistema analisa o grau de interesse do indivíduo no anúncio - se observou enquanto caminhava, se parou e por quanto tempo. As informações são consolidadas em um relatório para os anunciantes e o dono do aparelho.
A NEC planeja colocar o Eye Flavor à venda em dezembro por US$ 22,4 mil. O aparelho é relativamente portátil e pode ser carregado com facilidade por estar sobre rodas. Infelizmente, sua utilização global depende da adaptação do software - por enquanto ele só reconhece rostos japoneses.
O Eye Flavor pode ser considerado um passo intermediário na direção do reconhecimento individual. Além do uso da íris, há projetos para a adoção de chips RFID como forma de encontrar uma pessoa na multidão. Nesse caso, os chips, do tamanho da cabeça de um alfinete, estariam embutidos nas peças de roupa, aparelhos eletrônicos e até sob a pele. O sinal de rádio emitido por cada um deles mostraria para o receptor e seu software onde, quando e por quem foi comprado. A combinação das informações “denuncia” o seu proprietário.
A técnica é perfeita para o mercado publicitário, mas arrepia os defensores da privacidade. Ao mesmo tempo que permitiria avisos úteis, como uma lista de compras instantânea ao chegar ao mercado com base nos chips dos itens da geladeira, mapearia os atos e caminhos do indivíduo de forma nunca vista.
No Japão o voyeurismo é uma indústria. Milhares de filmes, sites, galerias de fotos fazem a alegria de quem se empolga com o tema, mostrando modelos anônimas ou profissionais em posições incomuns. As colegiais japonesas são um alvo clássico, seja nas escadas do metrô ou sobre os respiradouros nas ruas da metrópole.
A Apple teve que se encaixar na política local para lançar o iPhone, que chegou ao país em 11 de julho pela operadora Softbank, antiga Vodafone. Ao contrário do resto do mundo, na terra do sol nascente o celular da Apple faz barulho para tirar fotos até quando está em modo exclusivamente vibratório.
A medida é usada por todos os fabricantes há anos e alguns implementam sons bem mais altos que o tradicional barulho do disparo da câmera.
O iPhone no Japão é um desafio para a Apple. Cultuado em todo o mundo, o celular não é necessariamente o que o japonês imagina para seu telefone. Falta o fator cute que forçou mudanças até do Google em sua homepage - talvez a que tem atualização mais rara na web. E falta a câmera com vários megapixels, infravermelho para transferir contatos automaticamente entre indivíduos e o flip, que é adorado pelos japoneses.
Já que a Apple não incluiu um GPS no iPhone, a solução é criar um. A empresa Partfoundry anunciou o desenvolvimento do módulo locoGPS que é conectado à porta de comunicação do celular com jailbreak - aberto para a instalação de aplicativos de terceiros.
No vídeo de demonstração, ainda com uma versão inicial do módulo, a descoberta da posição acontece bem rápido. A página da empresa mostra que o tempo pode chegar a 35 segundos usando o chip GPS SiRF Star III. Nada mal.
O software utilizado encontra a latitude e longitude e depois joga o usuário para o aplicativo do Google Maps que vem no iPhone de fábrica. O programa será aberto à atualização pela comunidade do software livre. O módulo já está à venda por US$ 89 e será enviado aos compradores a partir de fevereiro.
A notícia chegou junto com mais um rumor da expansão das vendas do iPhone pelo mundo. Dessa vez o alvo é o Japão, onde as operadoras NTT DoCoMo e Softbank (ex-Vodafone) estariam disputando a exclusividade pelo aparelho. O país é escala fácil para o iPhone, mas depende de um celular com terceira geração, bem expandida no Japão. Ao chegar no oriente, o iPhone fica mais próximo do Brasil, faltando provavelmente a Austrália, China, Coréia, outros países europeus e talvez o México antes que sejamos agraciados. É uma longa viagem.
O mercado japonês é um grande desafio para a Apple. É considerado um ano e meio à frente do resto do mundo na adoção de tecnologia - em 2004, quando estive lá, a terceira geração já era uma realidade inclusive com planos flat rate - e tem concorrência feroz entre dezenas de fabricantes de celulares que pulverizam o mercado.
O Japão também tem outras peculiaridades e já afastou fabricantes e operadoras gigantes. A Nokia nunca conseguiu se firmar na terra do Sol Nascente e a Vodafone acabou desistindo da operação local depois de tomar muita surra. A versão não oficial é a inocência ao tentar implementar as mesmas soluções do Ocidente, de serviços e celulares, sem levar em questão as vontades do japonês.