O Google anda insatisfeito com o e-mail e a comunicação instantânea dos mensageiros eletrônicos. No evento para desenvolvedores I/O, a empresa mostrou o Google Wave, projeto ainda em desenvolvimento que promete unir as duas ferramentas e levá-las a um novo estágio.
O objetivo máximo é tornar o Wave universal, aberto e que possa ser usado por qualquer empresa como uma plataforma de comunicação. Na interface mostrada como uma aba do navegador Google Chrome, o serviço divide a tela em três áreas: contatos e ações, lista de conversações e seu conteúdo.
Em termos gerais, o Wave se propõe a organizar informação. Nele, o usuário responde a uma mensagem - o thread/corrente, é chamada de wave - exatamente onde quer, enxertando conteúdo no meio de uma frase, por exemplo. Texto, vídeo, fotos, áudio, mapas, tudo pode ser embutido. Todos os envolvidos na wave observam o conteúdo sendo inserido em tempo real. A wave pode ser editada livremente por seus participantes, como em um wiki e o Google acredita que o controle de versões será suficiente para se encontrar.
O Google Wave tem uma API, já disponível para estudo e testes, que permite integrar serviços às conversações e levá-las a outros lugares na web. De acordo com os planos do Google será ela que fará do Wave um sucesso, nos moldes do que acontece com o Twitter. Os mashups de conteúdo e funcionalidade do Wave com outros aplicativos multiplicarão seu poder.
Muitos já chamam o Wave de “o novo Gmail”, mas ele não acabará com o correio eletrônico tradicional. O novo serviço é interessante para a comunicação multimídia organizada, com histórico esperto e controle de versões. Como explica o Google, não há separação entre comunicação e colaboração. E esse talvez seja o maior trunfo do Wave.
Barack Obama foi eleito, tomou posse e já começa a colocar em prática seu desejo de usar a internet ativamente. Um dos eixos de atuação será o Recovery.gov, site que mostrará como o dinheiro público está sendo gasto. Mas não é o bastante.
Evolto pela web 2.0 e seus paradigmas de colaboração, portabilidade de dados e computação distribuída, o governo Obama começa a ser pressionado para apresentar os dados do site de forma transparente e interoperável, para garantir o reuso em aplicações criadas por terceiros, em mashups.
Um post num blog da Cnet sobre o Recovery.gov traz um histórico completo da questão e cita o espetacular Fundrace 2008 como um exemplo do que é possível com dados públicos abertos. O mashup exibe num mapa do Google embutido as informações de doações da sociedade para a campanha presidencial de 2008. Os dados, difíceis de serem consultados na busca oficial da Comissão Federal de Comunicações, foram adaptados para a nova exibição, com busca por nome, cidade, endereço, empregador.
Na era da informação não basta ser aberto. É preciso oferecer seus dados de forma transparente para os programadores dispostos a recombiná-los. Um grupo de programadores, ativistas e empresários da internet se reuniu em 2007 para apresentar ao governo seus ideais para a abertura das informações públicas. Um dos resultados é a lista dos “oito princípios para os dados abertos“: devem ser completos, da fonte original, atuais, acessíveis, processáveis por máquinas, livres para todos, sem componentes proprietários e sem licenças agregadas - disponíveis pelo menos em XML e CSV.
O objetivo é deixar nas mãos da sociedade a criação das formas com as quais os dados serão acessados. Ainda não está certo se a administração Obama levará os apelos a sério, mas pela primeira vez essa é uma possibilidade real, pela maturidade da internet e disposição do governo.
Adeus Evolution of Dance. O vídeo que entrou num efeito circular e se manteve como o mais popular do YouTube por vários meses deu lugar a um remix italiano de Music is my Hot Hot Sex, do Cansei de Ser Sexy.
É claro que o nome conta. Nem todos os que foram ao vídeo são fãs da banda brasileira ou muito menos leitores do blog do italiano responsável pelo remix. Procuravam por sexo e o título da música é um belo chamariz. Mas confesso que gostaria de saber qual é o interesse dos internautas brasileiros pelo vídeo, que pode mostrar a freqüência do país no YouTube como um todo.
Nessa semana, conversei com o presidente do Google Brasil, Alexandre Hohagen, para uma matéria que em breve todos poderão ler. Entre as várias informações interessantes que o executivo mencionou está a de que o Orkut no Brasil é a maior fonte de vídeos embutidos do YouTube de toda a internet.
Como o Read/Write Web bem coloca, é o fim de uma era. Um vídeo tipicamente norte-americano é trocado por um produto da web 2.0. Remix de uma banda brasileira, que canta em inglês e de uma música que foi tema de um anúncio do iPod Touch. Qual dessas características trouxe mais espectadores? Sim, mesmo assim ainda foi o sexo…
Há outra teoria para a popularidade do vídeo do CSS. O Waxy faz uma investigação interessante sobre os dados de acesso do remix e descobre que há poucas qualificações e comentários para os 89 milhões de views. Há cheiro de trapaça no ar. Talvez publicações do vídeo em sites de grande tráfego.
Assista também a Evolution of Dance, o antigo rei do YouTube.
Pense nos vídeos do YouTube que ficaram marcados na sua memória. Com certeza alguns deles são mashups, remixes de conteúdo que já estava postado no serviço. É baixado com plugins para browsers ou software, editados novamente no computador e enviados à web.
Mas, se depender da Adobe, a criatividade vai ser podada. A Electronic Frontier Foundation (EFF), organização que monitora e defende a liberdade de expressão em meios digitais, publicou em seu site os planos de inclusão de um DRM no Flash 9 e no Flash Media Server 3. Até agora, os arquivos .FLV não são encriptados e, por isso, são facilimente executáveis e abertos em qualquer software.
A proteção poderia ser quebrada facilmente por hackers, mas isso os torna criminosos, de acordo com a DMCA. A Digital Millennium Copyright Act é a lei que gerencia direitos autorais em meios digitais nos Estados Unidos.
Há YouTube sem mashup? Se a postagem de vídeos é intensa, é a recombinação dos mesmos que torna os agregadores de vídeo na web únicos no contexto cultural. O que seria do Dramatic Chipmonk sem suas dezenas de remixes? Na web, o vídeo só ganha força com seu conjunto de modificações, que realimentam a fama do original e de seu autor.
O Google iniciou oficialmente o seu programa antipirataria no YouTube, mas cabe aos detentores de direito autoral adotarem a tecnologia.
O produtor de um vídeo tem que enviá-lo ao site, que extrai uma identificação digital do mesmo, usada para apontar futuros uploads do arquivo ou de partes dele. Cabe ao dono dos direitos da obra decidir o que será feito. A cópia digital enviada ao site pode ser deletada, liberada ou publicada com anúncios. Mesmo se for apagado, o vídeo fica no YouTube por alguns minutos. Se o detentor do direito autoral decidir que a reprodução do vídeo não pode entrar no site, só poderá mudar de idéia se publicar uma cópia com seu login no YouTube.
O Google testou a tecnologia nos últimos meses com nove parceiros - CBS, Disney e TimeWarner foram revelados. De acordo com a empresa, todos ficaram satisfeitos com a chamada Video Identification, em fase beta, provavelmente eterna. O Google sofre um processo nos EUA de US$ 1 bilhão da Viacom, que já declarou que não o interromperá por qualquer esforço técnico antipirataria.
O Video ID é um dos suportes do tripé do YouTube, que conta também com os doismodelos de anúncios nos vídeos e com a parceria com grandes produtores de conteúdo. Cada uma das bases é necessária para validar a outra e encaminhar o serviço na direção da rentabilidade. Sem controle das cópias dos vídeos pelos internautas, nenhuma emissora de TV, produtora ou estúdio de Hollywood vai querer publicar vídeos oficiais e anunciar neles. Sem o Video ID, o público é pulverizado entre as várias cópias disponíveis, não assiste aos anúncios nem os consomem.
O funcionamento da tecnologia demonstra o poder e, para alguns, a arrogância do Google. Para que o Video ID funcione, os detentores de direito autoral têm que enviar todo seu conteúdo para o YouTube o escanear. Imagine o que isso significa para a Globo, por exemplo. A emissora teria que fornecer toda a sua programação diária para o serviço para tentar evitar que cópias caseiras chegassem ao público. Para o Google, o Video ID “vai muito além das responsabilidades legais”.
O YouTube admite que a tecnologia não funcionará com cópias com imagem e som de baixa qualidade, mas diz que os detentores de direito autoral estão mais preocupados com os videos fiéis ao original. Não há certeza se o Video ID é esperto o suficiente para reconhecer, e manter no ar, os remixes de arquivos eventualmente marcados com o sistema e que pela legislação norte-americana não podem sair do serviço.
A meta inicial do YouTube - se tornar o principal destino para o upload de vídeos amadores e para a audiência na web - está alcançada há mais de um ano. Agora, é a hora de firmar o serviço como uma alternativa real à televisão com vídeos com a chancela dos produtores conhecidos.
Até o fim do ano, a Adobe lançará a versão final do seu plugin Flash com suporte ao codec de vídeo H.264 e de som HE-AAC. Estará aberto o caminho para os vídeos de alta qualidade na web, com streaming quase tão leve como os atuais do YouTube e outros repositórios. É o início de um novo capítulo da do consumo multimídia na web, com o YouTube HD.
Os desenvolvedores do Google apresentaram mais uma interação do Google Earth, desta vez com o YouTube. A camada de informação pode ser acessada dentro da opção “Destaques” do software, e mostra no mapa onde foram gravados vídeos publicados no maior repositório da internet.
A opção tem muito potencial, mas está limitada pela falta do chamado geotagging, ausente no YouTube. Hoje, os vídeos mostrados no Google Earth parecem conter no título ou na descrição a cidade em questão. Mais vídeos apareceriam se o Google criasse a opção de tagueamento do vídeo num mapa quando fosse postado, como acontece no álbum virtual de fotos Flickr.
O mashup Google Earth + YouTube é uma pequena amostra do que a internet fará com a televisão. Imagine assistir a um programa e poder interromper uma cena para identificá-la no mapa. Uma hot zone, clicável, mostrará o local da gravação, mencionado pelo sujeito na imagem, ou na legenda. É o tipo de interatividade que se espera de uma televisão 2.0, ao alcance do controle-remoto, na sala de estar, sem qualquer computador ao alcance.