Blogs, mídia, mercado e a geladeirinha
04.07.08 16:24 | SITES, WEB | 8 Comentários »
Quem acompanha o Futuro.vc percebe que escrevo pouco sobre as questões que rodeiam a relação blogs-mídia-mercado. O motivo é simples: o exagero reina em todos os lados. É o blogueiro que se sente ameaçdo (!) pelo jornal/revista, é a imprensa que vê a luz apagar no fim do túnel, é o mercado que tenta aplicar métodos fatais de marketing aos blogs. Todos e ninguém têm razão.
As conversas incessantes sobre monetização de blogs, liberdade de expressão e independência permeiam a blogosfera. Ao mesmo tempo que busca ser reconhecida como fonte de informação, quer se manter distante do que a imprensa representa. Para os blogueiros, notícias boas e más. Há como se afastar do pior que o jornalismo pode representar, mas as forças que causam e mantém esse mal são as mesmas que afetam a blogosfera.
Antes de prosseguir, um adendo. Tenho uma certa tranquilidade para escrever sobre o assunto por ter estado sete anos dentro de um jornal, cobrindo tecnologia como repórter e editor, e ter começado a blogar na intersecção com um novo horizonte profissional, hoje longe da redação.
A última fonte de polêmica é a campanha da Coca-Cola com a blogosfera, que inclui o envio de uma geladeirinha USB para promover o lançamento de um isotônico. Muito se escreveu sobre o assunto e um bom resumo, com opinião, está aqui.
O temor é de que o blogueiro seja influenciado a escrever sobre o produto, possivelmente bem, depois de saborear a bebida e guardar a geladeirinha como o novo e indispensável item para sua rotina. Como o Cardoso sugeriu, o periférico é barato para um blogueiro, mas garanto que há blogueiros bem baratinhos…
O mesmo acontece com os jornalistas. Testemunhei muitas coisas nesses anos, do lado do mercado e da imprensa. Produtos distribuídos no atacado, alguns devolvidos, outros guardados. Convites, convites e mais convites, muitos aceitos. Mas o caminho é longo até a transformação em uma extensão da assessoria de imprensa.
O problema é que nem todos têm a gana pela independência, por escrever sobre qualquer assunto com a tranquilidade de deitar a cabeça no travesseiro sem rabo preso. Por outro lado, numa publicação, o rabo preso pode vir de tabela, na conhecida “reco” que tem que ser feita, da melhor forma, para manter os interesses da instituição.
A “verdade” não existe. A busca por ela é o que importa. Quando você escolhe um assunto para blogar está sendo parcial, seletivo. E é bom que seja assim. São essas escolhas que definem a linha do seu produto e a sua opinião - bem mais do que na imprensa - é que marcará a trajetória do seu blog.
Certas agências e empresas já reconhecem o poder da blogosfera na formação da opinião de um público pequeno, mas influente. Muitos early adopters, que disseminam seu gosto em cascata, usam os blogs como fonte primária de informação. Mas essas mesmas agências e empresas sabem que os blogueiros são influenciáveis em potencial. Não têm uma empresa por trás, com seu código de conduta e poder de demissão por justa causa. Nessas horas, o presente do celular com câmera digital, espelhinho e GPS pode fazer diferença. Ao mesmo tempo, é a falta desta empresa que gera a indpendência benéfica.
Por isso, blogue à vontade. Quer aceitar sua geladeirinha? Faça isso. Quer aceitar o celular destruindo o seu atual? Faça isso. Depois de dar o enter é a qualidade do seu post que vai fazer a diferença.
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