Nos últimos anos, o Bit Torrent se tornou o mais popular protocolo de troca de arquivos peer-to-peer, ao usar com destreza a banda do internauta para downloads e uploads. E para Windows, o cliente símbolo do Torrent é o Azureus - pelo menos até hoje.
O software do sapo azul trocou de nome e agora chama-se Vuze, incorporando as funções do reprodutor multimídia lançado em 2006 e muito mais. Na versão 3.1, o cliente aprende com as tendências da internet e apresenta uma rede social integrada, para que os usuários compartilhem indicações de torrents, conversem entre si e informem sobre seus hábitos de download em um feed semelhante ao do Orkut ou Facebook.
O Vuze também conta com recomendações de torrents, aprimoradas a partir das votações dos usuários. O uso da caixa de busca integrada traz respostas de sites como Mininova, Sumotorrent e outros.
Por trás da camada multimídia e social, o Vuze é um cliente robusto p2p, com todas as funções que apaixonavam os usuários do Azureus. Pessoal
mente, prefiro a simplicidade e leveza do seu concorrente direto uTorrent, mas para os novatos no Bit Torrent, o conteúdo integrado à mecânica de download é bem-vindo.
Se você já baixou algum filme pela internet, conhece aXXo. O nome apelida o uploader mais famoso da rede de troca de arquivos Bit Torrent que acaba de voltar de um silêncio auto-imposto de alguns meses.
Para retornar em grande estilo, aXXo subiu Eu Sou a Lenda, com a qualidade habitual, quatro meses depois de seu último filme. No auge da fama, a partir da metade de 2007, seus torrents tinham um milhão de downloads por mês vindos de todos o cantos da Terra.
Mesmo com seu nome usado para uploads maliciosos, com vírus ou arquivos corrompidos, aXXo manteve a popularidade e se tornou a locadora de filmes de muita gente. Tenho amigos que escolhiam a diversão de sexta à noite de acordo com as novas películas subidas por aXXo. “Se é dele, é bom”, diziam.
O Rapidshare é o maior exemplo dos serviços de hospedagem anônima de arquivos que surgiram com a popularização da banda larga. Muitos usuários adotam redes peer-to-peer para seu deleite digital, mas ainda mais baixam diariamente músicas, filmes e vídeos de sites como o Rapidshare, sem espera e em boa velocidade.
O serviço sofre pressão da Justiça alemã e acabou de perder um processo para a Gema, organização que representa detentores de direitos autorais, e que deseja que o Rapidshare se responsabilize pelos arquivos postados por seus usuários.
O Rapidshare adotou a “postura Napster”, declarando que não pode ser culpado pelos dados que transitam em sua rede. Mas a Gema partiu para o ataque. Quer que o serviço filtre os arquivos protegidos por direito autoral antes que sejam hospedados. A organização ainda diz que, com isso, o Rapidshare perde sua razão de existir e deve ser fechado.
Déjà vu total. A última braçada do Napster antes de se afogar, no começo da década, foi lançar um filtro eletrônico para barrar a troca ilegal de músicas. O Rapidshare faz parte de um grupo relevante de serviços, que garante a hospedagem rápida e fácil de arquivos para donwload por um grupo ou indivíduo. Mas basta procurar em buscadores como o FilesTube para descobrir que há muito conteúdo indevido.
A briga está apenas no começo. O Rapidshare deve apelar e levar o processo até à corte federal alemã. Se perder, tomará as medidas cabíveis no país e abrirá caminho para decisões semelhantes ao redor do mundo. Um golpe parecido nos Estados Unidos seria o último prego no caixão.
É mais um exemplo da culpabilização da tecnologia. Quem é responsável pelos delitos? A tecnologia inanimada, vetor para a comunicação? Ou o usuário, que decide como fará uso dela?
Só para completar a confusão, a Gema sugere que os provedores de acesso ajudem a filtrar o conteúdo que é públicado no Rapidshare. Bem parecido com o que a IFPI, federação que representa a indústria fonográfica global, apresenta em seu relatório anual.
O grande assunto dos últimos dias foi a Qtrax. A empresa promete 25 milhões de músicas para download gratuito, garantido com a exibição de anúncios. Numa comparação, a iTunes Store tem “apenas” cinco milhões de canções disponíveis para venda.
A Qtrax dividiu o mercado em três grupos. Um deles é o coberto pela Apple, outro é um blacklist com artistas que não permitem a venda online de seu conteúdo e um terceiro, e maior, é o cinza. Ele abriga as músicas que não estão à venda nos serviços atuais, mas que são trocadas em redes peer-to-peer sem o pagamento de direitos autorais. Incluem faixas raras, gravações de shows e mashups.
Ao contrário do que havia divulgado no Midem, encontro anual da indústria da música em Cannes, a Qtrax não assinou com nenhuma das grandes gravadoras - Universal, Sony BMG, Warner e EMI. Depois de três dias na capa de todos os sites, revistas e jornais especializados, a verdade veio à tona. Das gravadoras, apenas a Universal diz que está “conversando” com a empresa.
A oferta de músicas subsidiada pela publicidade é uma das tendências cobertas no relatório anual da Federação Internacional da Indústria Fonográfica, mas não espere que a revolução venha à galope.
O sistema da Qtrax, disponível para Windows nos EUA e Europa, encapsula o arquivo da música com DRM para contar quantas vezes ela foi executada e pagar os detentores de seus direitos autorais. Falta informações no site, mas parece que o software da empresa é compatível com os tocadores da iniciativa PlayForSure, da Microsoft. A cada 30 dias os usuários são convidados a conectar seus aparelhos ao computador para transferir a informação da reprodução das faixas.
A versão para Mac é prometida para abril, junto com a solução para tornar as faixas compatíveis com iPods. Resta saber se a Apple deixará isso acontecer, já que é líder do mercado online de música com as vendas das canções na iTunes Store, apenas para seus tocadores.
Se a Qtrax garantir bons anunciantes - Ford e McDonalds são nomes citados - e o pagamento correto das execuções das músicas, pode ser uma boa alternativa aos sistemas atuais de comércio. Principalmente se agregar as faixas alternativas que não constam do catálogo oficial e que são baixadas todos os dias nas redes p2p. Mas terá que explicar porque as gravadoras não estão do seu lado como afirmado inicialmente…
Paulo Coelho tem uma identidade secreta na internet. Com Pirate Coelho, o escritor usa um blog para apontar onde os internautas podem encontrar seus livros para download gratuito e sem pagamento de direitos autorais.
A confissão foi feita no encontro Digital, Life, Design, que acontece na Alemanha nesta semana. Coelho explicou que as vendas de O Alquimista saltaram para o milhão depois que disponibilizou o livro como um torrent. O próximo passo foi a criação de Pirate Coelho, com links para downloads via eMule e hospedeiros de arquivos - inclusive em formatos para leitura em PDAs.
É curioso que Paulo Coelho afirme que a troca livre de sua obra ajude a vender mais livros. A literatura, ao contrário da música ou do cinema, ainda está longe de ser consumida facilmente em meios eletrônicos. Quem teria paciência para ler 150 ou mais páginas na tela de um desktop, notebook ou no celular. O Kindle e outros e-book readers tentam popularizar esse mercado, mas imagino que o impacto nas vendas de Paulo Coelho tenha sido por uma leitura dinâmica ou amostra rápida - e gratuita - dos livros depois do download.
Assista à apresentação completa do autor no DLD, focada na relação da internet com a literatura.
A revolução está entre nós. O ano de 2007 será conhecido como o começo do fim da indústria da música, como a conhecemos por décadas. Depois de o Radiohead anunciar que seu novo disco, In Rainbows, será vendido pela internet e pelo preço que o consumidor quiser, é a vez do Nine Inch Nails anunciar que abandonará as gravadoras para um modelo de venda banda-consumidor.
É bom lembrar que esse movimento não é apenas político. Os artistas ganham pouco com os discos - seu faturamento maior vem das ações na internet, turnês e da memorabilia que as cercam.
Até a semana passada, as gravadoras estavam sendo minadas por três frentes distintas…
A Bit Torrent, empresa de Bram Cohen, criador do protocolo de troca de dados do mesmo nome, lançou a nova versão do seu cliente igual a do uTorrent, o melhor software para compartilhar arquivos na rede peer-to-peer para Windows.
A explicação é simples. Em 2006, a Bit Torrent adquiriu o uTorrent e mantinha a compra sem resultados práticos. Agora, imita a leveza e funcionalidade do software em seu produto. A diferença entre os dois é a logomarca e os resultados da busca integrada. Enquanto o uTorrent leva o usuário para o Mininova, o Bit Torrent leva para seu site, que tem conteúdo pago, fruto de parcerias com produtores.
Acredita-se que os projetos permanecerão separados, dado o sucesso do uTorrent.