O casamento da administração Obama com o YouTube durou pouco. A Casa Branca trocou o maior agregador de vídeos da web por uma solução própria para veicular os filmes gerados pelo governo.
A mudança tem como foco questões de privacidade. Se é interessante usar o YouTube e garantir audiência e banda suficiente para atender aos milhões de espectadores, Obama e cia. entregam ao Google o controle da disponibilidade de conteúdo, as medições de seu público e a possibilidade de faturar com isso.
Qual é sua orientação política? Região? Religião? Quais outros serviços acessam na internet? Que notícias leram no mesmo dia, ou nos anteriores? Informações demais para do público do site do governo mais poderoso do mundo.
Os dados estariam vulneráveis a um ataque eletrônico ou a uma ação judicial contra o Google, semelhante a da Viacom, por direitos autorais.
O post do ótimo blog Surveilance State narra o primeiro passo da separação da Casa Branca, quando desabilitou a gravação do cookie que registrava o usuário que acessava a página com o vídeo embutido do YouTube mesmo que ele não clicasse no play.
A nova solução usa a rede de distribuição de conteúdo da Akamai, que espalha servidores para garantir que os vídeos ou qualquer outro download sejam acessados da forma mais rápida possível. E não há qualquer registro de quem o tocou. E ainda há código para colar o vídeo internet afora.
O canal da Casa Branca no YouTube continua. E a empresa do Google criou mecanismos para bloquear cookies em vídeos colados em outros sites.
O rastreamento de informação é perfeito em meios digitais. Mas a liberdade política e democrática só é efetiva num ambiente em que o cidadão possa consumir informação e se expressar sem ser obrigatoriamente identificado.
O caso pode ser transportado, com todas as ressalvas possíveis, para outros ambientes. Sua navegação, e-mails, downloads, fóruns dos quais participa, tudo pode ser registrado para uso por terceiros. É o que o Google faz, de forma automática, quando oferece publicidade contextualizada, por exemplo. É o preço embutido cobrado pelo uso dos seus excelentes serviços.
Há uma batalha silenciosa pelo futuro do iPhone. O celular mais importante dos últimos anos deve, ou não, ter liberdade restrita na relação com aplicativos de terceiros? A Apple pediu ao Escritório de Direitos Autorais dos EUA que inclua na DMCA, a lei norte-americana de proteção ao copyright digital, a proibição ao jailbreak do iPhone.
Ronaldo Lemos, advogado e diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas, explica que há uma revisão da DMCA a cada três anos para qualquer adaptação necessária. “Assim foi criada a exceção que permite o desbloqueio dos celulares para que eles se conectem a qualquer operadora”.
O jailbreak é o processo que abre o celular para receber softwares que não foram autorizados pela Apple. Ao mesmo tempo que isso garante a instalação de conteúdo pirateado da App Store ou desbloquear o iPhone, permite que o consumidor use seu celular para funções desautorizadas oficialmente pela Apple. Geração e gravação de vídeos, armazenamento de arquivos, copiar-e-colar e controle das listas de torpedos e ligações feitas são apenas algumas das opções habilitadas pelo jailbreak.
Dias depois do pedido da Apple, a Fundação Mozilla e o Skype apoiaram a Electronic Frontier Foundation, que imediatamente saiu em defesa do jailbreak. Sua posição está vinculada à garantia de interoperabilidade do celular com outras redes, softwares e aparelhos.
A escolha é do consumidor. Com o iPhone, a Apple segue o modelo fechado do iPod, definindo um ecossistema próprio para a sincronização de dados, compra de conteúdo e assinatura do que pode ser oferecido. Ao mesmo tempo em que oferece uma plataforma confortável para os usuários, pode limitá-los no que podem fazer com os eletrônicos comprados.
Barack Obama foi eleito, tomou posse e já começa a colocar em prática seu desejo de usar a internet ativamente. Um dos eixos de atuação será o Recovery.gov, site que mostrará como o dinheiro público está sendo gasto. Mas não é o bastante.
Evolto pela web 2.0 e seus paradigmas de colaboração, portabilidade de dados e computação distribuída, o governo Obama começa a ser pressionado para apresentar os dados do site de forma transparente e interoperável, para garantir o reuso em aplicações criadas por terceiros, em mashups.
Um post num blog da Cnet sobre o Recovery.gov traz um histórico completo da questão e cita o espetacular Fundrace 2008 como um exemplo do que é possível com dados públicos abertos. O mashup exibe num mapa do Google embutido as informações de doações da sociedade para a campanha presidencial de 2008. Os dados, difíceis de serem consultados na busca oficial da Comissão Federal de Comunicações, foram adaptados para a nova exibição, com busca por nome, cidade, endereço, empregador.
Na era da informação não basta ser aberto. É preciso oferecer seus dados de forma transparente para os programadores dispostos a recombiná-los. Um grupo de programadores, ativistas e empresários da internet se reuniu em 2007 para apresentar ao governo seus ideais para a abertura das informações públicas. Um dos resultados é a lista dos “oito princípios para os dados abertos“: devem ser completos, da fonte original, atuais, acessíveis, processáveis por máquinas, livres para todos, sem componentes proprietários e sem licenças agregadas - disponíveis pelo menos em XML e CSV.
O objetivo é deixar nas mãos da sociedade a criação das formas com as quais os dados serão acessados. Ainda não está certo se a administração Obama levará os apelos a sério, mas pela primeira vez essa é uma possibilidade real, pela maturidade da internet e disposição do governo.
Pelo menos é o que parece para o governo brasileiro. A Encore ganhou a primeira fase da licitação para fornecimento do micro do programa Um Computador por Aluno. Pelo projeto, seu Mobilis custará R$ 550 para o Estado.
Observe a foto. Depois veja essas, do PC em ação numa escola de Brasília. Obviamente, seu uso só é viável com um teclado e mouse USB e apoiado numa superfície inclinada. Acessórios demais, ergonomia zero sem eles.
Imagine as condições de uso dos micros no projeto e das salas de aula espalhadas pelo Brasil. Algumas sem cadeiras, carteiras, com alunos demais. Nem entro na questão sobre os componentes essenciais ao estudo - o computador é secundário - mas uma premissa para a escolha do micro tem que ser a sua portabilidade com facilidade e conforto de uso. E o Mobilis é apenas portátil.
Ele é um UMPC, a categoria dos ultraportáteis que fez barulho em 2007, mas que foi atropelado pelos netbooks, que tem no Asus Eee o exemplo mais popular. As razões para tal são claras: micros ligeiramente maiores e que oferecem poder de processamento, teclado quase igual ao dos laptops (perfeito para crianças) e boa conectividade. Se o netbook é indicado para ser o segundo computador do usuário, o UMPC é o terceiro, seguido de perto pelos smartphones.
Será esse o conjunto de portas final do Mobilis? Apenas uma USB, com espaço para uma segunda, que não foi incluída? O edital exige duas portas, então há esperança. Mas teclado, mouse e pen drive podem exigir um USB hub. Uma solução questionável para uma intenção nobre e cada vez mais necessária. Alguém há de concorrer com um micro de verdade.
A eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos foi um dos exemplos máximos do poder da internet para o debate político e social, mas a tendência vai continuar na Casa Branca. Obama usará o YouTube para veicular seu programa semanal - além do site oficial Change.gov.
O Washington Post indica que o movimento vai além, com a criação de um canal de vídeos no site do Google.
A campanha de Obama publicou mais de 1.800 vídeos no YouTube, permitindo a sua distribuição plena pela internet, gerando discussões e o efeito viral já conhecido - e às vezes combatido - pela indústria cultural. E não se esqueça dos mashups, como o da Obama Girl e o Dance off com John McCain. Os milhões de espectadores provam o sucesso.
Depois do sucesso da primeira entrevista com Vitor Lourenço, o designer paulista responsável pela repaginação do Twitter e do Futuro.vc, enviei mais algumas perguntas sobre tópicos mais abrangentes e relevantes.
Microblogging, portabilidade de dados e e simplicidade do serviço são alguns dos temas. Dias depois do primeiro papo, o Twitter lançou a primeira iniciativa para agrupar e apresentar um assunto discutido na rede. O alvo inicial é a eleição presidencial norte-americana, com a filtragem de palavras-chave e hashtags - os temas acompanhados pelo símbolo # que funcionam como tags e são usados para a busca.
O que você acha do fenômeno do microblogging?
Eu não tenho mais tempo para acompanhar os meus feeds no Google Reader. Com tantos blogs e posts ficou difícil se manter atualizado. Ao mesmo tempo, seguir quem posta comentários resumidos no Twitter é bem mais agradável. Os 140 caractéres forçam a mantér o foco e ser objetivo. O fenômeno tende a crescer, uma vez que o nível de engajamento necessário para começar a participar é muito menor do que o requerido para um blog. Outra coisa bacana é a velocidade de indexação: fazer uma busca por um termo no search.twitter.com informa, em tempo real, o que as pessoas estão achando de um determinado assunto. Há um potencial incrível para fazer determinadas escolhas e tomar atitudes rápidas baseadas no feedback instantâneo.
O Twitter tem um desafio pela frente: crescer mantendo a simplicidade. Você acha que isso é possível?
As novas funcionalidade serão ditadas pelas necessidades cotidianas. Por exemplo: todos os usuários gostariam de ter grupos. É claro que isso será fundamental para o Twitter. Agora, o grande desafio é implementar novas features manténdo a simplicidade atual do campo de texto e um botão de envio. É um trabalho mais orientado à interface e à compatibilidade com as várias plataformas. Uma nova função deve funcionar também por torpedo, API e na web móvel, por exemplo. É possível manter a simplicidade, mas exigirá raciocínio e testes com os usuários.
Qual é a sua opinião sobre a portabilidade de dados no microblogging? Hoje, Twitter, Jaiku e outros não se conversam. O Identi.ca lançou um sistema open source com federação, mas que não é utilizado por muitos…
O Twitter oferece uma portabilidade de dados suficiente. A partir da API é possível postar os updates de qualquer cliente, retornar as informações de seu perfil, os updates de sua lista de contatos, e tudo que é possível fazer pelo site oficial. Não conheço a API do Jaiku, mas integrar estes serviços dependerá apenas dos criadores e de suas estratégias de negócio. A tecnologia já está aí.
Você também trabalhou no Election 2008. Como foi? O Twitter pensa em fazer outras seções especiais no futuro?
Trabalhei no projeto durante a semana que estive no escritório do Twitter. Acredito que outros eventos também terão seções especiais, mas estou mais ansioso para ver a funcionalidade de grupos logo agregada ao Twitter. Assim, poderemos criar filtros para qualquer assunto.
A partir de 23 de setembro o internauta terá três semanas para baixar, de graça, o novo documentário de Michael Moore. Slacker Uprising foi gravado em cidades norte-americanas dos chamados Swing States - os estados divididos politicamente - na eleição de 2004.
Moore usa a liberação do filme como a estratégia para a sua popularidade. “O único retorno que esperamos é a maior participação de votantes jovens da história em novembro”. O vídeo será encontrado no Blip.tv.
O filme não será lançado no cinema e irá direto para a Amazon, em DVD e para a Netflix, locadora online. A distribuição no Brasil ainda é uma incógnita.