Passeio na coleira pelo ciberespaço
16.05.08 14:20 | SITES, WEB | 1 Comentário »
O golpe do Facebook sobre o Friend Connect, do Google, mostra que começou a guerra pela liberdade velada dos dados dos usuários na internet. Como você leu há alguns dias, o Google incluiu o Facebook no seu sistema de portabilidade de dados, mas a rede social não gostou.
Se o internauta até agora estava fechado entre os muros das redes sociais, agora fica claro que será tratado na coleira, com uma liberdade velada para que os serviços mantenham controle sobre o bem maior - seus dados pessoais.
Numa analogia, o mercado de mensageiros instantâneos passa por um momento parecido. Primeiro, redes independentes. Depois, agregadores de contas que exibem os contatos numa mesma janela, mas ainda sem contato entre si. Nos últimos tempos, começou a conversa de serviços - Live Messenger com Yahoo Messenger, GTalk com AIM.
A história da portabilidade de dados começou bem antes de Google, Facebook e MySpace. Em 2001, a Microsoft deu início ao seu projeto Hailstorm, ou chuva de granizo, com uma frase ambiciosa de Bill Gates: “nosso objetivo é ter cada internauta do mundo com uma identidade Passport”. A empresa queria integrar sites e serviços a um sistema único de autenticação, que carregaria seus dados pessoais por todo o ciberespaço.
Em tempos pré-web 2.0, o Hailstorm foi um fracasso publicitário. Os dados dos usuários ficariam guardados em servidores da Microsoft e, teoricamente, sujeitos a um ataque único para o roubo de muita informação. Funcionava apenas no Internet Explorer, o que na época já era um problema.
Hoje, o Hailstorm é quase a rede Live, com menos parceiros, mas contando com a constelação de serviços da Microsoft. Google, Yahoo, Facebook e MySpace querem iniciativas parecidas, enquanto o OpenID corre por fora com uma solução independente.
Do que adianta carregar seus dados por aí, se não pode usá-los em todos os lugares? Com os três projetos anunciados quase em simultâneo, o usuário continuará a ter que se cadastrar em todos os serviços para manter o enforcador solto durante a corrida. Fusão dos dados, incluindo seus contatos? Nem pensar, por enquanto.
Como o TechCrunch publicou, os dias das redes sociais muradas estão contados. Mas a coleira parece ser um passo intermediário até que a liberdade chegue para valer. De forma esperta, o Google se livrou da necessidade de crescer o Orkut globalmente com o Friend Connect, mas esperava ter acesso aos perfis das redes sociais para oferecê-los à vontade aos sites miúdos.
Arrington ficou chateado com o movimento do Facebook, mas se esqueceu de que seu perfil na rede social é, em primeiro lugar, da empresa que permite a sua criação.
A internet ainda não está preparada para a verdadeira portabilidade de dados. O mercado de redes sociais ainda precisa amadurecer até que o salto libertário aconteça. Ele será fundamental para o que se chama de web 3.0 - informação abundante, disponível para todos, para contextualização em qualquer site ou serviço. Como aconteceu outras vezes, seria interessante ver uma rede social independente nesse meio. Um Firefox das redes sociais, aberto, convidativo. E como Joi Ito falou ao Futuro.vc, o open source é bem melhor para aprimorar o que já existe do que para a invenção. Resta esperar.
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