“O Kindle está para o jornal como o Palm estava para o iPhone”, foi o comentário de um amigo ao ler o anúncio do Kindle DX, novo ebook reader da Amazon talhado para o consumo de jornais e páginas em A4.
Concordo, e por isso não me emociono com a apresentação do novo Kindle. Tem a legibilidade do papel, mas é caro, grande (por não ser flexível) e ainda sem as cores.
Mas é preciso respeitá-lo. A Amazon quer fazer com os textos o que a Apple fez com a música. Seu mercado ainda está longe da maturidade, mas começou na direção certa, ao oferecer transferência rápida e fácil do conteúdo, conforto para o consumo e oferta ampla.
Como os jornais, seus leitores ainda não decidiram o que será do futuro. Continuam apegados a um suporte que parece defasado em meio à facilidade do acesso online. Ao mesmo tempo, a internet não tem se mostrado ideal para consumir informação densa, em textos grandes, paginados. Do lado do mercado, a questão é mais séria: se os jornais buscam a web como salvação, descobrem que sua principal receita - a publicidade - não paga a conta no digital.
Como vantagem sobre a internet, o Kindle joga a conta do jornal para baixo, ao extinguir o papel e usar diagramação simples e baseada na edição impressa.
E não posso deixar de relacionar o lançamento do DX às surpresas que teremos em junho, na WWDC, evento de desenvolvedores da Apple. Além do novo iPhone, um rumor que esquenta é o do seu tablet de 10 polegadas, com tela sensível ao toque e integração com a App Store. Com funções de computador, visor colorido, leve e conteúdo farto seria um concorrente sério ao Kindle e às ambições da Amazon.
O RSS é uma ótima ferramenta para consumo de conteúdo na internet, mas poucos usuários assinam feeds. A tecnologia, embora simples de usar, é desconhecida da maioria e mantém, por enquanto, um nicho feliz.
O Google sabe disso e planeja alterar a forma como lida com o RSS em seu Blogger. A partir das próximas semanas, os visitantes dos blogs da rede passarão a “seguir” seu conteúdo. Se o internauta tiver uma conta no Blogger, o RSS será incluído numa versão simplificada do Google Reader integrada ao serviço. Na ausência da conta, o feed será vinculado ao produto completo.
No Reader original, os RSS do Blogger entrarão numa nova categoria, de blogs que estou seguindo. O dono do site, por sua vez, pode incluir um widget no blog com a lista de seguidores.
A escolha do Google pega carona na definição usada por redes sociais e serviços de microblogging, como o Twitter. E com isso pode mudar a relação com o RSS, que dependendo do sucesso da iniciativa, pode até perder essa definição. Os puristas podem se arrepiar no início, mas o sonho da distribuição de conteúdo generalizada por todos os perfis de internautas compensa a mudança semântica.
O Google atualizou seu agregador de RSS Reader para o iPhone, numa versão que traz as funcionalidades da versão original.
Acaba o tratamento estranho de levar o usuário a uma nova página em cada feed clicado. Agora, ao “apertar” numa história, ela é desmembrada na própria interface do Reader, com o carregamento de texto e imagem, se for o caso. Além disso, é possível marcar um texto com a estrela, guardando-o numa seção especial.
Como o Webware lembra, falta a expansão de vários itens de um mesmo site, o que reduziria a troca de dados no celular. Por ser influenciado diretamente pela versão original, o Reader para iPhone imita também seus defeitos.
Os usuários que visitarem o mesmo link do Reader anterior não terão acesso ao novo beta, que se encontra em “http://www.google.com/reader/i“, sem as aspas. Usuários de Symbian e outros sistemas operacionais para celulares não devem se preocupar - a mudança chegará.
Ontem à noite o Google atualizou a interface dos seus serviços em um portal exclusivo para o iPhone. Até agora, a empresa oferecia versões customizadas do Reader, Calendar e Gmail, mas que não estavam integradas numa única página, acessadas a partir do login da constelação Google.
O portal inclui acesso ao Gmail, Calendar, Reader, Docs, Notícias, Notebook, fotos do Picasa e, é claro, à busca. Ao entrar pela primeira vez no site, o usuário escolhe qual é o idioma que deseja para a personalização. É bom definir o português do Brasil porque o Google usa como padrão o de Portugal, que influenciará a exibição das notícias, por exemplo.
Todos os sites foram otimizados para o iPhone, mas há o que fazer. O Notebook, por exemplo, não permite o clipping de páginas web, pela falta de integração maior com o MobileSafari e de um plugin para o navegador que realize a função. O Docs continua apenas com a opção de leitura dos documentos.
Outro problema é a impossibilidade de reproduzir um vídeo do YouTube descoberto em uma busca. Embora o iPhone tenha um software para o agregador de vídeos, o link no MobileSafari não abre no programa e nem no browser, sem suporte a Flash.
Um toque interessante é o suporte ao Google Experimental Search, com adições à busca tradicional da empresa. Ao se cadastrar para receber sugestões automáticas enquanto o termo é digitado na caixa de busca, a função também estará presente no iPhone. Para usar o portal, basta digitar www.google.com no navegador do iPhone e esperar o redirecionamento.