O RSS é uma ótima ferramenta para consumo de conteúdo na internet, mas poucos usuários assinam feeds. A tecnologia, embora simples de usar, é desconhecida da maioria e mantém, por enquanto, um nicho feliz.
O Google sabe disso e planeja alterar a forma como lida com o RSS em seu Blogger. A partir das próximas semanas, os visitantes dos blogs da rede passarão a “seguir” seu conteúdo. Se o internauta tiver uma conta no Blogger, o RSS será incluído numa versão simplificada do Google Reader integrada ao serviço. Na ausência da conta, o feed será vinculado ao produto completo.
No Reader original, os RSS do Blogger entrarão numa nova categoria, de blogs que estou seguindo. O dono do site, por sua vez, pode incluir um widget no blog com a lista de seguidores.
A escolha do Google pega carona na definição usada por redes sociais e serviços de microblogging, como o Twitter. E com isso pode mudar a relação com o RSS, que dependendo do sucesso da iniciativa, pode até perder essa definição. Os puristas podem se arrepiar no início, mas o sonho da distribuição de conteúdo generalizada por todos os perfis de internautas compensa a mudança semântica.
Depois de meses de preparação, o Google iniciou o programa AdSense para feeds. Com ele, o proprietário de um blog ou outro serviço que tenha um ou mais feeds RSS pode incluir anúncios entre os itens e receber um pagamento por sua visualização e/ou clique.
Para participar é preciso que seu feed seja fornecido pelo FeedBurner e que você tenha uma conta no AdSense. A customização dos anúncios é farta e o usuário pode decidir por peças com texto ou imagem, sua frequência no feed e o tamanho do post que a acompanhará. As cores dos anúncios também são editáveis, mas o assistente oferece trabalhar pelo usuário.
Infelizmente, o feed com anúncios não é fundido automaticamente ao atual, fazendo com que o usuário perca seus assinantes atuais se adotá-lo como o principal. Para a junção é preciso mandar um e-mail para o Google com seus dados de cadastro. As métricas do feed com publicidade são acessadas no novo site do FeedBurner.
Só o tempo dirá se os anúncios em feeds são uma forma efetiva de faturar com seu conteúdo. Como o RSS é usado normalmente por quem quer otimizar seu consumo de conteúdo na web, o clique na publicidade pode se tornar coisa rara.
Músicas no Last.fm, fotos no Flickr, blog no WordPress, amigos no Facebook. A web 2.0 é um momento estelar para a criação e partilha de conteúdo pelo cidadão, mas apresenta o desafio da sua administração, sob risco de afogamento num mar de bits.
Tags, categorias e recomendações não são suficientes. O usuário terá que entrar em cada um desses serviços, compartilhar seus dados com grupos diferentes de amigos e consumir seus RSS em um agregador. Para complicar, há a novidade recente de comentários exclusivos aos centralizadores de feeds, como no FriendFeed, que não são replicados nos sites originais - pelo menos até agora.
O Swurl é mais um candidato para ser o organizador da sua experiência virtual. Criado por Ryan Sit e Jonathan Neddenriep, o serviço está em beta aberto e aceitando inscrições dos internauta. Tal qual o FriendFeed, integra os feeds de informação de sites e apresenta os dados em uma única interface. Hoje são 19 fontes incluídas, de sites como Delicious, Amazon, Flickr e Facebook.
O forte do Swurl é a apresentação do lifestream do internauta. A lista corrida é acompanhada de miniaturas dos sites e uma interface esperta mostra opções ao passar o cursor do mouse pelos itens. Ao se inscrever, o internauta ganha um endereço próprio e fácil: acesse o meu em http://marcelo.swurl.com.
Uma exclusividade do serviço é a indexação retroativa. Depois de me cadastrar e inserir algumas fontes de informação, o Swurl buscou fotos do meu Flickr de 2004, criando um lifestream extenso. Áudio é reproduzido na própria página, fotos viram slideshows e vídeos ganham seu embed automaticamente. Pela apresentação, o Swurl está sendo conhecido como um gerador instantâneo de blogs - o diário da sua vida.
Em outra modalidade única, o site apresenta seu conteúdo numa linha do tempo. Para o uso externo, o desenvolvedor já pode contar com a API do serviço, lançada há uma semana para a criação de softwares e sites que acessem o conteúdo do Swurl de fora e o misturem com outras fontes na web.
No entanto, as qualidades faltam na apresentação do conteúdo dos seus contatos. O serviço inclui automaticamente as pessoas que estão cadastradas em seus feeds e que já fazem parte do Swurl, mas a lista é corrida e pouco útil. Conversei com Jonathan por e-mail no fim de semana e ele explicou que o site é focado na apresentação do conteúdo do usuário, mas ao mesmo tempo está em evolução constante.
Como você vê essa tendência atual do serviços lifestream? São uma forma de organizar a informação espalhada pela web, ou mais um serviço que competirá com os outros?
O lifestream representa a busca por um problema que é recente, mas bem real. As pessoas estão cansadas de ter suas vidas online fragmentadas. Serviços como o Facebook têm tentado resolver a questão, mas trabalham em um jardim murado, impedindo que você use os melhores sites para uma certa finalidade. Hoje, os agregadores são formas de organizar os dados sociais, mas estão evoluindo para competir com serviços maiores, como o Facebook.
O Swurl usa uma interface elegante. Qual é a sua função e a importância do design em um serviço como esse?
A diferença e o valor do Swurl estão no design limpo e na experiência de uso simples. Nosso objetivo foi fazer algo que fosse rápido e fácil de se cadastrar. Com a quantidade de informação gerada hoje, a importância de interfaces desse tipo é grande.
Ao mesmo tempo, parece que a interface não lida bem com as atividades dos amigos. A inclinação do Swurl é para o usuário? Quais evoluções vocês têm na manga para o serviço?
Ainda estamos trabalhando na interface para amigos. O Swurl é um trabalho em andamento. Nosso primeiro objetivo foi apresentar o conteúdo do usuário da melhor forma, mas vimos que era fácil integrá-lo com o dos contatos. Quisemos abrir o site e receber o feedback do interauta, mas estamos trabalhando duro para melhorar a experiência da sua relação com os amigos.
O FriendFeed é o maior concorrente do Swurl?
Muitos nos comparam ao FriendFeed, mas acho que temos um foco diferente. O FriendFeed é muito bom para agregar vários feeds, permitir conversas e usar redes de amigos como mecanismos para descobertas. O Swurl é mais centrado em si - nos preocupamos mais com a apresentação fácil do nosso conteúdo. Isso reduz o ruído e faz do serviço uma ferramenta bem interessante de blog para o usuário.
Há outras vantagens para o FriendFeed. Trabalhamos para permitir a importação de conteúdo completo e posts inteiros de blogs para que o Swurl se torne seu novo blog e não apenas mais um agregador. Também trazemos o maior conjunto possível para que a linha do tempo e a busca mostre todas as suas fotos, vídeos, links e posts. E ainda aprimoramos o conteúdo ao automatizar slideshows, reprodução de músicas e previews de filmes da locadora virtual Netflix, por exemplo.
Por causa dos problemas técnicos do Twitter, muitos buscam um substituto. O Swurl está na briga?
Nesse momento não. Ainda estamos trabalhando nas notificações que serão robustas, permitindo conversas em tempo real em volta dos itens do Swurl. Um serviço como o Twitter é muito mais uma infraestrutura para a conversação básica e não competimos nesse cenário.
Há planos para novas formas de criar conteúdo no Swurl?
Sim! Queremos que você possa blogar a partir dele, e mais.
Por vários motivos, o FriendFeed é um site essencial. O agregador reúne updates de 41 sites diferentes, além de qualquer feed RSS. É uma central de informação, juntando o conteúdo gerado e categorizado por você e seus amigos, na tentativa de organizar a profusão de serviços e produção online.
Mas há problemas. Muitos blogueiros reclamam que o serviço não “devolve” o conteúdo gerado nele, como os comentários sobre qualquer item apresentado no feed incluído pelo usuário. Assim, em vez de organizar o volume de informação na internet, contribui para a confusão como mais um vetor de produção. O filão, no entanto, existe e o FriendFeed ganha cada vez mais usuários, mesmo com uma interface ainda falha.
O Facebook, rede social que cavalga na direção da onipotência do Google, está de olho no FriendFeed e apresentou hoje a função de comentários no feed de atividades do usuário. Cada item conta agora com um balãozinho que, quando clicado, abre uma caixa para o texto. Há algumas semanas o serviço inaugurou a importação dos feeds de terceiros e já conta com 12 serviços, como Digg, Last.fm, Flickr e Google Reader.
A adição dos comentários ainda é discreta. Eles são indicados apenas por um número, não ficam abertos e nem aparecem no perfil dos contatos do comentado. Mas é mais um passo para a oferta de uma experiência completa - ou murada e restrita - na rede social.
Os desenvolvedores independentes continuam a surpreender o usuário de iPhone desbloqueado. O Intelliscreen é o novo destaque ao apresentar uma espécie de tela Today do Windows Mobile no celular da Apple.
A Today mostra resumos da atividade do usuário ou de seus contatos - entradas de calendário, novos e-mails, torpedos, previsão do tempo e outros dados personalizados previamente.
Com o Intelliscreen, o iPhone ganha funcionalidade parecida para a primeira tela do aparelho, antes mesmo do desbloqueio. Depois de instalado, ela passa a exibir os itens citados antes para o Windows Mobile e outros, como RSS de sites de notícias.
O software, da empresa IntelliBorn, é gratuito e pode ser baixado pelo Installer, adicionando a source “http://intelliborn.com/repo”, sem as aspas.
O usuário pode definir a ordem de apresentação dos itens e com o arrastar do dedo sobre um deles é levado para o programa de origem. No entanto, ainda não é possível incluir o seu feed RSS favorito. Há também uma opção para a checagem automática do correio eletrônico a cada exibição do aplicativo, ultrapassando as configurações definidas no iPhone.
O Intelliscreen também é o primeiro aplicativo que conheço que traz um controle de desempenho, avisando ao usuário se a instabilidade for iminente.
O Google atualizou seu agregador de RSS Reader para o iPhone, numa versão que traz as funcionalidades da versão original.
Acaba o tratamento estranho de levar o usuário a uma nova página em cada feed clicado. Agora, ao “apertar” numa história, ela é desmembrada na própria interface do Reader, com o carregamento de texto e imagem, se for o caso. Além disso, é possível marcar um texto com a estrela, guardando-o numa seção especial.
Como o Webware lembra, falta a expansão de vários itens de um mesmo site, o que reduziria a troca de dados no celular. Por ser influenciado diretamente pela versão original, o Reader para iPhone imita também seus defeitos.
Os usuários que visitarem o mesmo link do Reader anterior não terão acesso ao novo beta, que se encontra em “http://www.google.com/reader/i“, sem as aspas. Usuários de Symbian e outros sistemas operacionais para celulares não devem se preocupar - a mudança chegará.
O Google apresentou hoje uma nova função para o Reader, seu agregador de RSS, que torna o serviço mais social do que nunca. Depois de permitir a partilha de conteúdo marcado de seus feeds RSS entre usuários do sistema, é hora de garantir a separação de conteúdo a partir de qualquer página na web.
O responsável pela expansão é um bookmarklet, nome dado ao link arrastado a sua barra de favoritos e que integra o conteúdo acessado ao serviço em questão. No caso do Reader, seus itens permitem que o usuário marque uma página para partilha imediata, até incluindo um comentário de texto.
Em conjunto com a criação de um endereço web único para acesso aos seus links compartilhados, as novas funções do Reader criam um blog com comentários do autor. No entanto, a customização é baixa - quatro temas estão disponíveis para as páginas pessoais - e os comentários estão apenas disponíveis em texto, sem formatação. Havendo ambição, parta para um blog ou um microblog, num serviço como o Tumblr.