Confesso que não entendi. Uma das maiores empresas de eletrônicos de consumo do mundo lança um aparelho para um mercado supercompetitivo e o faz difícil de programar de propósito.
Essa é a declaração de Kaz Hirai, diretor da divisão de entretenimento da Sony, sobre seu PlayStation 3. O executivo é um dos responsáveis pelo sucesso da linha de videogames, que na geração atual não alcançou a liderança do modelo anterior. A reviravolta é creditada ao lançamento um ano antes do XBox 360 pela Microsoft, pela diferença no preço e dificuldade de explorar o hardware do PS3, superior ao concorrente. Para a Sony isso não parece ser problema.
A empresa japonesa diz ter um plano de 10 anos para o PlayStation 3 e esse foi um dos motivos para a declaração. Se for fácil de programar, o que os desenvolvedores terão para explorar nos outros nove anos e meio - perguntou Hirai.
Vários desenvolvedores já criticaram em público a complexidade na exploração do hardware do PS3. A criação ideal custa mais tempo e dinheiro, inaceitável em tempos de crise. O resultado é a adaptação direta dos games ou a falta de compromisso com a plataforma da Sony - vista em empresas como a Valve e a Bethesda.
O PS3 custa mais caro que o XBox 360 e o Nintendo Wii, seus concorrentes diretos, e a Sony tem dificuldade para baixar seu preço final.
Experimente jogos famosos como GTA IV e Fifa 09 no PS3 e no 360. As diferenças são imperceptíveis, mas poderiam ser relevantes se o console da Sony tivesse fácil acesso pelos programadores. A maior qualidade obtida seria uma ótima compensação para o preço maior. Hoje, ironicamente, a escolha pelo PS3 se dá mais pela falha de arquitetura de hardware do rival, que leva ao defeito crônico das três luzes vermelhas (3RL), do que pelas qualidades do PlayStation.
Ter muitos jogos, bons e com qualidade diferenciada dos outros consoles é essencial para o sucesso de um produto. Hirai parece não se importar com isso, o que lança uma nuvem escura no futuro do PlayStation 3 e confusão em seus consumidores.
Com a fraca apresentação da Macworld, o centro das atenções se voltou rapidamente para a CES, maior feira de eletrônicos dos Estados Unidos que nos últimos anos vinha sendo eclipsada pelo show de Steve Jobs.
Dois produtos me despertaram a atenção e uma certa coceira no bolso. Netbooks com cara de ultraportáteis que andam sobre a corda bamba. De um lado ficam os smartphones, do outro, os computadores tradicionais.
O Vaio P tem as mesmas especificações vazadas há uma semana, com bom processador Intel Atom, 2 GB de RAM e tela de 8 polegadas com resolução de 1600 x 768 pixels. Disponível em quatro cores - preto, branco, vermelho e verde - o P tem webcam integrada e um modo para acesso instantâneo a mídias com a interface xross media bar semelhante a do PlayStation 3. Tem Wi-Fi, Bluetooth, GPS e conexão 3G com a operadora norte-americana Verizon. Isso indica que é CDMA EV-DO, o mesmo padrão que a Vivo adotou há alguns anos para a terceira geração, principalmente em placas PCMCIA. O funcionamento no Brasil é uma incógnita.
O pequeno notável tem autonomia de quatro horas, vem com Windows Vista, HD de 60 GB, duas portas USB e conexões de áudio, vídeo e Ethernet. O modelo de entrada custa US$ 899, nos EUA, a partir de fevereiro.
Mais radical é o OQO 2+. Com display de 5 polegadas OLED sensível ao toque, tem contraste impressionante de 1.000.000:1. Processador Intel Atom de 1.33 ou 1.86 GHz, 2 GB de RAM e autonomia de 3,5 horas. Também conta com Wi-Fi, Bluetooth e o chip Gobi da Qualcomm com suporte às redes 3G CDMA e HSDPA - que, em tese, funcionam no mundo inteiro. Ao contrário do Vaio P, o teclado do OQO 2+ é pequeno e deve ser usado com os dedões. Com o Windows XP, o portátil custa US$ 999 nos EUA.
Não se atreva a comprar nenhum dos dois sem pelo menos pegá-los na mão. Netbooks e UMPCs são micros para funcionalidades bem específicas, embora estejam cada vez mais genéricos pelo bom poder de processamento e armazenamento. Talvez com um conjunto caseiro de monitor + teclado + mouse você consiga a tranquilidade necessária para o uso por longo tempo, mas vale o teste.
Em 2008, uma categoria nova de computadores tomou conta do cenário. O netbook, com tela entre 7 e 10 polegadas, teclado completo e boa conectividade, passou a ser visto como uma boa opção de compra pelo micreiro de primeira viagem e, principalmente, por quem procurava um segundo PC para carregar por aí.
O formato está provado, mas sua adoção é muito pessoal. Alguns se arrependem do desconforto com o tamanho reduzido para o uso diário. Outros se acostumam, ou contornam o problema com teclado e mouse USB, além de um bom monitor.
Em 2009, a tendência continuará. O Vaio P está chegando como um marco, um netbook da Sony, usando sua marca premium e provavelmente custando menos que US$ 1 mil. Será apresentado na CES, esse mês, com poder para rodar o Vista e preparado para o Windows 7. Cabe no bolso do paletó.
Mas o importante é observar as variações do tema. O rumor do Mac Touch, uma versão do iPod Touch com tela de 7 ou 9 polegadas sensível ao toque, ganha força. Ao contrário dos netbooks, versões menores de laptops com liberdade para instalação de sistemas operacionais, o produto da Apple seria vinculado à App Store, trazendo um OS X que receberia softwares apenas pela loja virtual - nos moldes do que acontece com o iPhone.
A investigação do Venture Beat segue a mesma linha, com fatos, mas no outro lado da trincheira. O site portou o Android para um Asus Eee em quatro horas, com suporte gráfico, sonoro e conexão sem fio. Adicione à receita um navegador web e a Android Market, e a solução do Mac Touch está replicada.
O paradigma de um computador fechado, com um hub único para a adição de funcionalidade, parece limitado, mas tem grandes vantagens. A organização do que pode ser baixado e instalado por listas, sugestões e com busca é o paraíso para quem não tem muita intimidade com a aridez da internet. A aprovação dos softwares antes da sua disponibilização garante segurança contra vírus e estabilidade. E para o Google, o ambiente controlado é perfeito para seu objetivo principal - fornecer publicidade customizada.
Não espere o Android em laptops e desktops. Para eles o Google prepara o NativeClient, projeto em estágio inicial que foi apresentado em dezembro. A idéia é permitir que o navegador (Chrome, obviamente), rode código de máquina com o mesmo desempenho que no modelo tradicional, por um software dedicado, e com segurança. Isso coloca a técnica à frente do que hoje é apresentado pelo ActiveX, do Internet Explorer, e pelo Flash. Como citado pelo Giga Om, “é uma forma de reduzir o espaço entre o que é possível numa aplicação de desktop e uma aplicação web”.
Ou apenas mais um golpe no sistema operacional. Talvez o definitivo.
Os presentes do Natal de 2009 começam a tomar forma um ano antes. A Sony mostrou detalhes de um certo Vaio P que entra para a categoria dos netbooks, mas provavelmente no topo da pirâmide. Ao mesmo tempo, a Dell prepara o Adamo para vencer as dimensões do MacBook Air, incluindo seu preço.
O Vaio P deve apresentar um processador Intel Atom 1.33 GHz, talvez na versão dual core. Terá 60 GB de disco rígido, com a opção do SSD de 128 GB. E ao contrário dos outros netbooks virá com o Windows Vista instalado.
O grande diferencial é a tela, com 8 polegadas e alta resolução - 1600 × 768 pixels - que oferece mais espaço útil, mas cobra uma vista perfeita do usuário. Bluetooth e Wi-Fi compõem o pacote conhecido, que caberá facilmente no bolso.
O usuário que optar pelo Dell Adamo terá comprado, se os rumores se confirmarem, o notebook mais fino do mundo. Para ultrapassar o MacBook Air, o ThinkPad X301 e outros, o fabricante usará telas especiais da Samsung ou da LG de 3,5 mm e formato de 16:10, diferente do 16:9 que tem equipado os micros widescreen.
As dimensões únicas têm seu revés. Acredita-se que o Adamo custará bem mais que o rival Air, situado na faixa dos US$ 3 mil, contra US$ 1,8 mil do portátil da Apple. O nome pode também indicar uma família de notebooks, liderada pelo modelo especial.
Essa é a afirmação do vice-presidente da Sony Pictures Home Entertainment, Tim Meade, da empresa que é líder do consórcio que implementa o Blu-ray no mercado.
No fim de 2008, o novo padrão de mídia terá alcançado 25% das vendas globais. Hoje, mais de 650 filmes já estão disponíveis em Blu-ray, nos Estados Unidos. No Brasil, os discos custam cerca de R$ 100 e os reprodutores não saem por menos de R$ 3 mil. Para entrar na dança do sucessor do DVD a pedida é o PlayStation 3, que traz um drive compatível integrado pela metade do preço e com a funcionalidade do videogame.
Com a previsão de Meade fica difícil investir no Blu-ray hoje. Em três anos, tocadores estarão muito mais baratos e com novas funcionalidades, sem contar com a oferta e preço dos filmes. Além disso, até 2011 o mercado de vídeo na internet estará maduro, colocando em xeque a necessidade de ter títulos na estante de casa. A locadora estará na nuvem, com acesso rápido, preço acessível e ótima resolução de imagem.
Depois da briga com o HD-DVD, o Blu-ray terá que encarar uma batalha de paradigmas. Será que o consumidor está pronto para abandonar a coleção de discos em troca de itens na tela da TV, como tem feito aos poucos com os CDs?
Num momento em que a Sony começa a vender mais consoles que a Microsoft, a E3 foi o cenário perfeito para a empresa afirmar seu PlayStation 3 como plataforma para games. A firma japonesa tenta acabar com uma deficiência atual, a falta de jogos de peso, e tornar o aparelho mais caro do mercado na solução preferida dos jogadores.
O PS3 ganhará uma versão de 80 GB por US$ 400, mas o modelo de 40 GB sairá do mercado. Como ele, o novo console não terá compatibilidade com os games do PlayStation 2.
Para a plataforma foram anunciados o exclusivo God of War 3, Resistance 2 e mais detalhes sobre Little Big Planet. O mais impressionante é MAG, ou Massive Action Game, com batalhas multiplayer com até 256 jogadores, divididos em equipes de oito.
Os usuários do console também ganharam uma loja de vídeos, que terá venda de filmes - ao contrário do Marketplace da Microsoft que apenas aluga o conteúdo no XBox 360. Os vídeos poderão ser reproduzidos também no PSP, o videogame portátil da empresa, que receberá uma versão exclusiva de Resistance e a unificação da identidade online do jogador com o PS3.
A Sony também afirmou, rapidamente, que pretende expandir a presença oficial do PlayStation para a América Latina. Não revelou os países nem datas, mas a notícia é mais um sinal do amadurecimento do mercado local da diversão eletrônica.
O ex-diretor da Sony Computer Entertainment, Phil Harrison, é o autor de uma patente que pode sinalizar os próximos caminhos da Sony para a diversão eletrônica portátil. O registro descreve um aparelho quase quadrado com tela sensível ao toque e “calombos” nas bordas que oferecem respostas aos movimentos dos dedos no visor.
A empresa japonesa afirmou recentemente que prevê 10 anos de vida para seu PSP, o PlayStation Portátil, mas flerta cada vez mais com os games em celulares. O namoro chega a arriscar a parceria com a Ericsson como fabricante de telefones móveis devido ao desejo de usar sozinha a marca PlayStation em aparelhos futuros.
O celular como videogame tem grande potencial e deve ser um dos filões mais populares da vindoura App Store, a loja oficial de aplicativos do iPhone. As características da interface do celular da Apple abrem caminho para jogos inéditos, mas ao mesmo tempo a ausência de teclas físicas torna a conversão de vários games tradicionais um desafio.
No celular, o lugar é dos jogos casuais - aqueles com partidas rápidas, para a brincadeira numa viagem rápida da casa para o trabalho ou no tédio da sala de espera de um consultório médico. Com telas grandes e boa capacidade de memória, os telefones para games automaticamente se tornam ótimos reprodutores multimídia, ampliando seu potencial.
Como sempre, uma patente registrada não garante a sua aplicação, pelo menos ao pé da letra. Mas é hora da Sony expandir seu nome também na diversão em celulares, com o melhor que a marca PlayStation tem para oferecer.