No fim de semana alcancei a marca de mil seguidores no Twitter e, com a marca, resolvi escrever sobre o assunto no Futuro.vc. Comecei a acompanhar o serviço em março de 2007, quando se apresentava como um híbrido entre um mensageiro instantâneo e publicador de blogs.
O Twitter cresceu. Hoje é o novo queridinho da internet, ocupando o posto cedido pelo Facebook há alguns meses. Tornou-se uma base importante - embora ainda pequena - de opiniões. Com um bom mecanismo de busca por trás, muitos acreditam que o Twitter possa se transformar num “Google humano”, com a temperatura dos fatos, a tradução do universo coletivo em 140 caracteres.
Hoje é mais fácil entender o potencial, e os problemas do Twitter. Desses mil seguidores, pelo menos 40% são bots, usuários fantasmas que nunca publicam nada e buscam inscrições de acordo com o conteúdo que publico. Outra quantidade importante é de usuários que postam com pouca frequência ou nunca. Sobra um grupo pequeno, e ativo, que faz valer o acesso.
Muitos se cansam do Twitter pela quantidade de conteúdo em drops. O Twitter encaixa-se perfeitamente no mundo em que vivemos, no qual a informação é cada vez mais fragmentada nos vídeos rápidos do YouTube, chamadas e coleções do Google News, histórico da vida pessoal no Facebook. Os sistemas são criados para facilitar a troca de dados e sua organização, mas ainda irritam muitos que não estão acostumados com o volume ofertado.
E a qualidade do conteúdo é discutível, mas culpar o serviço por isso é errado. Orkut, Twitter e a própria web são ferramentas para um fim, ou vários. Seus recheios são de responsabilidade dos seus produtores, nós. Por isso, mantenha sua lista do Twitter atualizada e descarte o que não quiser.
O Twitter continua a brilhar durante eventos ao vivo. Seja o capítulo especial de uma novela ou um terremoto, é no serviço que você encontrará as informações mais atualizadas, quentes com a emoção dos “participantes” e dos “espectadores”, que comentam e remixam a informação no Twitter e em outras redes sociais, blogs e sites de notícias.
Se você é um usuário fiel do Twitter, a versão nativa na web é pouco. Dois clientes do serviço para o OS X estão entre os melhores que existem, oferecendo velocidade na atualização e leitura do conteúdo dos seus seguidores.
O Nambu é a ferramenta de escolha de muitos, por ser gratuito e contar com ótima interface, alinhada com o que se espera de um software para o Mac. Um menu lateral oferece acesso rápido a todas as mensagens e links recebidos diretamente ou na lista de contatos.
O sofftware também conta com a criação de grupos para dividir com inteligência os tweets do grupo de seguidores. No alto há uma caixa de busca para encontrar rápido mensagens específicas.
O usuário conta com três modos de visão. No primeiro, todas as mensagens, diretas ou não, são dispostas em sequência e sem indicação da sua origem. Na outra, mais comum, o menu é exibido para não haver confusão. E ainda há uma terceira, completa, com os tweets dos seguidores, mensagens diretas, enviadas e buscas mostradas em colunas.
Qualquer resposta em público aparece como um thread, facilitando o acompanhamento da conversa. O Nambu conta também com suporte ao Growl, o serviço de notificações que aponta no OS X quando uma nova mensagem é recebida sem entrar na tela do aplicativo.
Se o usuário criar uma conta no software terá acesso a ferramentas de redução de links e upload de fotos. O Nambu pode ser usado com várias contas do Twitter, FriendFeed e Identica.
O Tweetie é similar à versão para iPhone e iPod Touch, preferida por muitos dos usuários dos aparelhos. Imita a interface que corre na horizontal ao selecionar os tweets, com respostas também agrupadas em conversações.
O software tem uma caixa separada para entrar as mensagens, que pode ser multiplicada. As buscas também são abertas em janelas dedicadas, se o usuário quiser. Um bookmarklet, ou link especial, pode ser usado para anexar rapidamente páginas visitadas aos seus tweets.
A organização também é o forte do Tweetie. É possível, com alguns cliques encontrar conversas de qualquer usuário do Twitter com outro, em threads - e desde que estejam abertas, claro.
O aplicativo tem uma versão gratuita, com anúncios. Para evitá-los, compre o software livre deles por US$ 14,95 no site oficial.
Depois do sucesso da primeira entrevista com Vitor Lourenço, o designer paulista responsável pela repaginação do Twitter e do Futuro.vc, enviei mais algumas perguntas sobre tópicos mais abrangentes e relevantes.
Microblogging, portabilidade de dados e e simplicidade do serviço são alguns dos temas. Dias depois do primeiro papo, o Twitter lançou a primeira iniciativa para agrupar e apresentar um assunto discutido na rede. O alvo inicial é a eleição presidencial norte-americana, com a filtragem de palavras-chave e hashtags - os temas acompanhados pelo símbolo # que funcionam como tags e são usados para a busca.
O que você acha do fenômeno do microblogging?
Eu não tenho mais tempo para acompanhar os meus feeds no Google Reader. Com tantos blogs e posts ficou difícil se manter atualizado. Ao mesmo tempo, seguir quem posta comentários resumidos no Twitter é bem mais agradável. Os 140 caractéres forçam a mantér o foco e ser objetivo. O fenômeno tende a crescer, uma vez que o nível de engajamento necessário para começar a participar é muito menor do que o requerido para um blog. Outra coisa bacana é a velocidade de indexação: fazer uma busca por um termo no search.twitter.com informa, em tempo real, o que as pessoas estão achando de um determinado assunto. Há um potencial incrível para fazer determinadas escolhas e tomar atitudes rápidas baseadas no feedback instantâneo.
O Twitter tem um desafio pela frente: crescer mantendo a simplicidade. Você acha que isso é possível?
As novas funcionalidade serão ditadas pelas necessidades cotidianas. Por exemplo: todos os usuários gostariam de ter grupos. É claro que isso será fundamental para o Twitter. Agora, o grande desafio é implementar novas features manténdo a simplicidade atual do campo de texto e um botão de envio. É um trabalho mais orientado à interface e à compatibilidade com as várias plataformas. Uma nova função deve funcionar também por torpedo, API e na web móvel, por exemplo. É possível manter a simplicidade, mas exigirá raciocínio e testes com os usuários.
Qual é a sua opinião sobre a portabilidade de dados no microblogging? Hoje, Twitter, Jaiku e outros não se conversam. O Identi.ca lançou um sistema open source com federação, mas que não é utilizado por muitos…
O Twitter oferece uma portabilidade de dados suficiente. A partir da API é possível postar os updates de qualquer cliente, retornar as informações de seu perfil, os updates de sua lista de contatos, e tudo que é possível fazer pelo site oficial. Não conheço a API do Jaiku, mas integrar estes serviços dependerá apenas dos criadores e de suas estratégias de negócio. A tecnologia já está aí.
Você também trabalhou no Election 2008. Como foi? O Twitter pensa em fazer outras seções especiais no futuro?
Trabalhei no projeto durante a semana que estive no escritório do Twitter. Acredito que outros eventos também terão seções especiais, mas estou mais ansioso para ver a funcionalidade de grupos logo agregada ao Twitter. Assim, poderemos criar filtros para qualquer assunto.
O Futuro.vc tem um segredo. Por trás do design atual do blog está Vitor Lourenço, que na semana passada ficou conhecido como o responsável pelo novo Twitter, na primeira atualização do layout desde o seu lançamento, em 2006.
O novo design trouxe mais conteúdo em Ajax, permitindo ter as atualizações dos posts sem o carregamento de toda a página. As abas superiores da versão orginal foram deslocadas para o menu lateral, abrindo espaço para futuras adições - a maior candidata é a integração da busca.
A customização da página do usuário ganhou mudanças importantes. Embora tenha quebrado alguma personalização, agora permite a sintonia fina na escolha das cores, com um mapa para escolha detalhada do layout. Confira outras novidades no post de anúncio no blog oficial do Twitter.
Conheci Vitor na Globo.com, onde participamos do mesmo time de desenvolvimento de produto. No fim de semana conversei com ele por e-mail sobre seu trabalho com o Twitter. O designer paulista interagiu à distância com a equipe de Evan Williams e Biz Stone, e no fim do processo passou uma semana no escritório do Twitter, em São Francisco. Leia a entrevista!
Como você conheceu o pessoal do Twitter?
O contato inicial aconteceu com o Evan Williams, quando ele conheceu meu trabalho através do mashup que construí, o FoodFeed. Por ele, Evan chegou no meu portfólio, que tem uma amostra de meus trabalhos como designer visual e desenvolvedor client-side.
Quais foram os objetivos da mudança de layout do Twitter? Você a considera apenas um refresh, uma preparação para o futuro?
A idéia foi tornar a aplicação mais elegante e funcional. Alteramos alguns mínimos detalhes, mas que no conjunto total fazem a diferença. No âmbito visual foi entregue mais atenção para a tipografia, suavização das linhas divisórias e exclusão de alguns espaçamentos desnecessários. No funcional, agora temos uma sidebar que centraliza toda a navegação relativa aos updates (antes divididos entre a lateral e o conteúdo) e demos mais atenção as social stats (os números de following, followers e updates), que representam o uso que cada um faz do Twitter. Não posso deixar de mencionar, é claro, a introdução do Ajax para a troca de abas, deixando a aplicação muito mas rápida. Outra coisa bacana é o novo customizador de layouts, que agora oferece temas pré-definidos e facilita a escolha das cores com as alterações em tempo real no perfil.
Quanto tempo durou o trabalho? As mudanças serão periódicas?
Estou trabalhando já há alguns meses nisso, em conjunto com o time de UX - experiência do usuário - do Twitter.
Fale sobre o escritório do Twitter. Como é a rotina do trabalho, como é trabalhar com o Biz e o Evan?
São pessoas extraordinárias e extramenente competentes. E o time todo é assim, muito comprometido.
A alteração tem o objetivo de trazer mais usuários para a home do Twitter? O uso tem sido cada vez mais via API e aplicativos externos…
O objetivo não está diretamente ligado a números, e sim, em aprimorar a experiência do usuário na home da aplicação. Os números serão uma consequência destas melhorias.
Muitos usuários reclamam que o novo layout dificulta a personalização da página pessoal, principalmente a colocação de papel de parede. Por outro lado há ferramentas de pintura bem mais interessantes. O que você acha disso?
O uso de papel de parede continua o mesmo. Perdemos somente algum espaço vertical na sidebar, mas isso foi necessário para podermos ampliá-la para uso futuro, introduzindo novas seções, como a busca. Sugiro dar uma olhada no customizador de layouts para ver quantas opções bacanas existem por lá. O feedback até agora tem sido extremamente positivo, e estamos impressionados com uma reação tão receptiva às mudanças. Que venham mais por aí!
**Update**
Confira a segunda rodada de perguntas para o Vitor sobre microblogging, o Election 2008 do Twitter e outros assuntos!
Vale a pena confiar na nuvem? Essa é a pergunta que faço depois da pane geral do Gmail, a primeira em seus mais de quatro anos de existência. Cerca de 20 milhões de pessoas usam o webmail do Google todos os dias e a grande parte delas sofre com o problema, como pode ser confirmado via Twitter.
A geração Google se acostumou a confiar no buscador e nos outros serviços da empresa, que promove o desprendimento dos softwares tradicionais e da informação hospedada localmente, no HD do usuário. Na era da nuvem, ou cloud, a moda é acessar seus dados pelo ar, no celular, desktop, notebook e em qualquer outro dispositivo com acesso à internet. Na vertente mais radical desse movimento, as informações são - e serão cada vez mais - empurradas para você, de preferência contextualizadas pelo geotagueamento por GPS e inputs prévios do consumidor.
Mas o serviço precisa funcionar, e sem downtime. Quando cai, é o terror. Uso o Gmail como meu correio eletrônico principal e estou aliviado por não ter nada especial para enviar ou receber nas próximas horas. E mesmo que pense em usar outro sistema de e-mail, ainda teria que forçar a memória para lembrar dos endereços eletrônicos dos contatos. Sim, confiar em um webmail é como apostar na agenda de contatos do celular e não anotar nenhum número.
Coincidência ou não, o correio do MobileMe, o projeto de nuvem da Apple, também caiu. É apenas o último golpe no serviço da empresa, que já rendeu um pedido de desculpas raro de Steve Jobs. Nesse caso é bem mais grave que o Gmail, já que custa preciosos dólares numa assinatura anual.
É mais uma vez hora de questionar a nuvem, ou apenas não chutar a tomada do servidor…
Eventualmente o conceito de um produto é tão interessante que seu sucesso é quase certo. O 12 seconds promete fazer para o vídeo o que o Twitter fez para o texto, em updates pequenos e que inauguraram uma nova forma de produção de conteúdo na web.
Como o nome indica, o 12 seconds permite criar posts com a webcam do micro em até 12 segundos. O tempo mínimo força a imaginação e garante arquivos pequenos o suficiente para serem criados e subidos para o serviço em instantes. Como em sites semelhantes há opções para envio do vídeo por e-mail por celulares e endereço único para os posts, junto com um código para embuti-los em qualquer página.
A semelhança com o Twitter continua na mecânica de seguir contatos e na instabilidade - depois das primeiras notícias sobre o produto, o 12 seconds caiu e está fora do ar há horas. Para dar certo terá que investir nos servidores.
O serviço está em beta fechado. Para participar, inclua seu e-mail na lista de convites.
Os rumores se confirmaram e o Twitter comprou o Summize, que funcionava como um mecanismo de busca independente do serviço de microblogging. O resultado imediato é a criação do link search.twitter.com para encontrar palavras-chave em posts no Twitter, até por quem não é inscrito no serviço.
Depois de quase um mês de inferno, o Twitter parece ter encontrado o caminho da estabilidade, com atualizações rápidas pela página oficial ou qualquer um dos vários aplicativos web ou softwares que usam a API do serviço para postagem ou consulta dos twitts. A busca integrada é bem-vinda - gaste alguns minutos estudando as opções avançadas de procura que permitem encontrar facilmente posts e usuários.