É bom ser o líder de mercado e um dos sites mais acessados do planeta? Com certeza, mas o YouTube está numa enrascada.
Dois fatos:
O YouTube perderá US$ 470 milhões este ano. Mesmo faturando US$ 240 milhões em publicidade, seus custos operacionais chegarão a US$ 711 milhões. A conta não fecha e mesmo o Google, cheio de dinheiro em caixa, coça a cabeça para descobrir como lidar com meio bilhão de dólares em perdas todos os anos.
Além disso, o YouTube não garante rendimentos para os sucessos que gera e explora. Rick Astley, cantor que fez sucesso nas décadas de 80 e 90, voltou à fama depois do Rickrolling - uma pegadinha com um vídeo de sua música mais famosa, Never Gonna Give You Up. Mas declarou que ganhou apenas 11 libras com o fenômeno da web, que segundo ele foi assistido mais de 154 milhões de vezes.
No caso do YouTube, não basta ter sucesso sem ser rentável, para si e para os que explora. O maior agregador de vídeos da web e símbolo da web 2.0 corre o risco de acabar, morto pelo próprio veneno.
O casamento da administração Obama com o YouTube durou pouco. A Casa Branca trocou o maior agregador de vídeos da web por uma solução própria para veicular os filmes gerados pelo governo.
A mudança tem como foco questões de privacidade. Se é interessante usar o YouTube e garantir audiência e banda suficiente para atender aos milhões de espectadores, Obama e cia. entregam ao Google o controle da disponibilidade de conteúdo, as medições de seu público e a possibilidade de faturar com isso.
Qual é sua orientação política? Região? Religião? Quais outros serviços acessam na internet? Que notícias leram no mesmo dia, ou nos anteriores? Informações demais para do público do site do governo mais poderoso do mundo.
Os dados estariam vulneráveis a um ataque eletrônico ou a uma ação judicial contra o Google, semelhante a da Viacom, por direitos autorais.
O post do ótimo blog Surveilance State narra o primeiro passo da separação da Casa Branca, quando desabilitou a gravação do cookie que registrava o usuário que acessava a página com o vídeo embutido do YouTube mesmo que ele não clicasse no play.
A nova solução usa a rede de distribuição de conteúdo da Akamai, que espalha servidores para garantir que os vídeos ou qualquer outro download sejam acessados da forma mais rápida possível. E não há qualquer registro de quem o tocou. E ainda há código para colar o vídeo internet afora.
O canal da Casa Branca no YouTube continua. E a empresa do Google criou mecanismos para bloquear cookies em vídeos colados em outros sites.
O rastreamento de informação é perfeito em meios digitais. Mas a liberdade política e democrática só é efetiva num ambiente em que o cidadão possa consumir informação e se expressar sem ser obrigatoriamente identificado.
O caso pode ser transportado, com todas as ressalvas possíveis, para outros ambientes. Sua navegação, e-mails, downloads, fóruns dos quais participa, tudo pode ser registrado para uso por terceiros. É o que o Google faz, de forma automática, quando oferece publicidade contextualizada, por exemplo. É o preço embutido cobrado pelo uso dos seus excelentes serviços.
Não se assuste ao acessar o YouTube e encontrar um link “click to download”. Desde o fim de semana o maior agregador de vídeos da internet liberou o download de vídeos para o HD do internauta.
A opção ainda é restrita a poucos vídeos, como alguns do canal oficial de Barack Obama, o novo presidente dos Estados Unidos. Os arquivos são trazidos para o computador no formato MP4, que pode ser assistido com facilidade em vários softwares e aparelhos, como o iPod e o iPhone.
De acordo com o advogado Lawrence Lessig, que publicou pela primeira vez a novidade, o YouTube ampliará a função para outros vídeos. Mas não espere que ela chegue ao conteúdo comercial tão fácil. Isso depende de um acordo entre o Google e o detentor do seu direito autoral. E como os vídeos não tem proteção contra cópia, a discussão é ainda mais sensível.
A partir de hoje, procure pelo link “Watch in HD” abaixo do player de vídeos no YouTube. Ele indica a disponibilidade da transmissão em 720p, o primeiro estágio na alta resolução de imagem e que é um salto considerável na qualidade tradicional do maior agregador de vídeos da internet.
Por enquanto, a maioria dos vídeos em HD são trâilers de videogames, mas a oferta deve ser bem ampliada nas próximas semanas. A mudança é parte da investida do Google para aumentar a receita com o YouTube, e provavelmente será a base para a oferta de filmes inteiros no serviço, com anúncios.
Para encontrar os filmes em HD, clique no link ou faça uma busca com o seguinte padrão, sem as aspas: “http://www.youtube.com/results?search_query=hd”. Nem todas as respostas são certas, mas é a melhor forma, por enquanto.
O Google atualizou o YouTube para o formato widescreen, que a partir de hoje passa a ser o padrão do maior agregador de vídeos da internet.
Com a expansão da largura da página do site para 960 pixels veio também o novo formato 16:9. Todos os vídeos em 4:3, versão original, tocarão sem problemas no novo player, mas com barras laterais.
A alteração não incluiu o embed de vídeos, que continua usando o primeiro padrão. Mas há como forçar o 16:9 seguindo o guia da News.com.
* Copie o seguinte código como base para o do vídeo em questão e cole na sua página:
* Substitua o código alfanumérico no fim do link pelo CODIGODOVIDEO acima, entre o /v/ e o &.
A mudança é mais uma na caminhada do YouTube para se tornar um serviço rentável. Há poucas semanas surgiu o boato do início da exibição de filmes inteiros de Hollywood, com anúncios. Além disso, há testes com vídeos em 720p, que já pode ser considerada alta resolução, e em som estéreo.
A eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos foi um dos exemplos máximos do poder da internet para o debate político e social, mas a tendência vai continuar na Casa Branca. Obama usará o YouTube para veicular seu programa semanal - além do site oficial Change.gov.
O Washington Post indica que o movimento vai além, com a criação de um canal de vídeos no site do Google.
A campanha de Obama publicou mais de 1.800 vídeos no YouTube, permitindo a sua distribuição plena pela internet, gerando discussões e o efeito viral já conhecido - e às vezes combatido - pela indústria cultural. E não se esqueça dos mashups, como o da Obama Girl e o Dance off com John McCain. Os milhões de espectadores provam o sucesso.
De acordo com a Cnet, o Google está dourando a apresentação de filmes inteiros no YouTube, com publicidade e num player especial. Ainda sem nome, o YouTube “Cinema”, digamos, usaria um player widescreen, boa resolução de imagem e som, e exibições de anúncios para pagar a transmissão de filmes inteiros. O sistema entraria em ação em até três meses.
O debate entre o Google e os estúdios é acirrado. Hollywood não gosta da imposição dos formatos publicitários e da sua frequência. A empresa californiana, por sua vez, sabe que tem que atingir a exibição ideal, para não afastar os espectadores e garantir receita. Analistas duvidam do faturamento com os anúncios durante os filmes - em tese, eles não seriam interrompidos, com a publicidade sobreposta no conteúdo.
Não espere a mesma liberdade de uso dos filmes completos. O uso do embed será proibido e, provavelmente, o YouTube usará bloqueio geográfico para limitar a visualização apenas nos países onde os direitos autorais estiverem resolvidos. Com isso sofrem países como o Brasil, com uma salada jurídica e que terá acesso ao conteúdo apenas com atalhos tecnológicos feitos pelos usuários.
Mais importante é a mudança de paradigma do YouTube. É um sucesso de audiência, com 49% do mercado norte-americano em setembro, contra 6% do segundo colocado, Yahoo. Foi criado e fez sucesso com vídeos amadores, mas não fatura na mesma proporção. A introdução de publicidade, controles contra pirataria e estímulo a produções profissionais alinharam o serviço com seus concorrentes, que viram o filão como um diferencial.